Titãs financeiros defendem mudança do ouro para ações
Em um apelo conjunto notável, o homem mais rico da Ásia, Mukesh Ambani, e o CEO da BlackRock, Larry Fink, pediram aos investidores indianos que movam suas economias da posse tradicional de ouro para os mercados de ações. Esta mensagem poderosa chega em um momento crucial para o cenário financeiro indiano, onde o ouro tem sido há muito tempo o ativo preferido de reserva de valor para milhões de famílias.
'Não é produtivo manter uma grande parte da poupança doméstica em ouro e prata,' declarou Ambani, presidente da Reliance Industries, durante uma recente cúpula financeira. 'O dinheiro investido no mercado de ações gera retorno.'
A 'era da Índia' chegou
Fink, que lidera o maior gestor de ativos do mundo com mais de US$ 10 trilhões sob gestão, foi ainda mais longe em sua avaliação. 'Os próximos 20 a 25 anos serão a era da Índia,' proclamou ele, enfatizando que os indianos devem investir no crescimento de seu país por meio dos mercados de capitais, em vez da posse passiva de ouro.
O momento deste conselho é particularmente notável. De acordo com relatórios da CNBC, os preços do ouro mostraram volatilidade extrema recentemente, enquanto o índice de referência indiano Nifty 50 teve desempenho abaixo das expectativas. No entanto, ambos os líderes financeiros permanecem otimistas sobre as perspectivas de longo prazo das ações indianas.
Padrões de investimento em mudança
Os indianos estão tradicionalmente entre os maiores compradores de ouro do mundo, com significado cultural e religioso ligado ao metal precioso. No entanto, dados mostram uma mudança gradual para produtos financeiros. De acordo com a consultoria Bain & Company, espera-se que os investimentos das famílias indianas em fundos mútuos subam de 45 trilhões de rúpias no ano fiscal de 2025 para 300 trilhões de rúpias (aproximadamente US$ 3,3 trilhões) até 2035.
Atualmente, quase 59% da riqueza das famílias indianas permanece presa em ouro e imóveis, em comparação com 66% em 2015. Esta transição gradual representa o que Fink chama de 'financeirização' das economias indianas.
Parceria estratégica por trás da mensagem
O apelo conjunto de Ambani e Fink não é coincidência. Suas empresas formaram uma parceria estratégica por meio da JioBlackRock, uma joint venture anunciada em julho de 2023 com compromissos de US$ 150 milhões de cada parceiro. O fundo lançou seu primeiro fundo de ações na Índia em agosto de 2025, que já havia captado 31,98 bilhões de rúpias (US$ 353 milhões) até dezembro.
'Para a BlackRock, a Índia se tornou um pilar central da estratégia de longo prazo,' observaram analistas financeiros. 'Este é um destino onde o capital de longo prazo pode render, mesmo em mercados globais voláteis.'
Contexto e perspectivas econômicas
O Fundo Monetário Internacional espera que a Índia permaneça a grande economia de crescimento mais rápido do mundo, com crescimento esperado de mais de 6% em 2026 em comparação com o crescimento global de 3,3%. Isso contrasta com o desempenho mais fraco esperado de grandes economias como Alemanha, Reino Unido e Japão.
Fink prevê que o mercado de ações indiano poderia 'duplicar, triplicar e quadruplicar' nas próximas duas décadas, enquanto é cético sobre um potencial de crescimento semelhante para os mercados de ouro. Sua confiança vem da combinação única da Índia de escala, adoção tecnológica e uma cultura de investimento em rápida expansão.
A mudança do ouro para ações representa mais do que apenas conselhos de investimento—sinaliza uma transformação fundamental em como a crescente classe média indiana aborda a criação de riqueza e a segurança financeira no século 21.
Nederlands
English
Deutsch
Français
Español
Português