Introdução: O gargalo que quebrou a economia global
No final de fevereiro de 2026, tensões crescentes no Oriente Médio causaram uma interrupção catastrófica no Estreito de Hormuz, a estreita via navegável por onde transitam diariamente quase 20 milhões de barris de petróleo – mais de 20% do petróleo marítimo global. Em março, o tráfego de navios caiu de 130 para apenas 2-7 navios por dia, segundo a UNCTAD. O choque energético resultante elevou os preços do petróleo em mais de 60% e os do gás mais que dobraram, reduzindo as projeções de crescimento do comércio global de 4,7% em 2025 para apenas 1,5% em 2026, conforme detalhado no relatório Trade and Development Foresights 2026 da UNCTAD, divulgado em maio. Este artigo analisa os efeitos macroeconômicos em cascata, desde crises cambiais em economias em desenvolvimento até interrupções nas cadeias de abastecimento de alimentos, e examina se a crise acelerará ou atrasará a transição energética.
Contexto: O Estreito de Hormuz e sua importância estratégica
Localizado entre Irã e Omã, o Estreito de Hormuz é o ponto de estrangulamento marítimo mais crítico do mundo. Ele movimenta cerca de um quarto do comércio marítimo global de petróleo, volumes significativos de GNL e cerca de um terço do comércio marítimo global de fertilizantes – 16 milhões de toneladas anuais. Rotas alternativas de oleodutos, incluindo o Oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, o oleoduto Habshan-Fujairah dos Emirados Árabes Unidos e a rota do Iraque para a Turquia, podem compensar apenas cerca de 35% dos volumes que antes transitavam pelo estreito. Mesmo com liberações coordenadas de reservas estratégicas de petróleo – adicionando talvez 6–7 milhões de barris por dia – permanece uma lacuna de oferta superior a 10 milhões de barris por dia. As implicações para a