Grande construtora holandesa enfrenta acusações de corrupção em ponte de São Martinho
O Ministério Público (MP) está a exigir uma multa de 525 mil euros contra duas subsidiárias da gigante da construção VolkerWessels num caso mediático de suborno relacionado com o projeto da Ponte Causeway de 2013 em São Martinho. O caso centra-se nas alegações de que a segunda maior construtora da Holanda obteve o contrato lucrativo ao pagar centenas de milhares de euros ao ex-ministro Theo Heyliger através de um intermediário.
A ponte que levou ao escândalo
A Simpson Bay Lagoon Causeway Bridge, uma estrutura de 700 metros que liga os distritos de Cole Bay e Simpson Bay, foi concluída em 2013 para fornecer acesso vital ao Aeroporto Internacional Princess Juliana. Segundo o MP, as subsidiárias Volker Construction International e Volker Stevin Caribbean ganharam o contrato depois de a sua proposta inicial ter sido rejeitada, apenas para serem inesperadamente selecionadas meses mais tarde, após alegados pagamentos a Heyliger, que na altura era ministro da Habitação, Ordenamento do Território, Ambiente e Infraestruturas.
O caso revelou detalhes chocantes sobre como a corrupção teria funcionado na ilha caribenha. Um consultor holandês que colabora com o MP como testemunha-chave desde 2019 descreveu como entregava pagamentos em dinheiro vivo a Heyliger, embrulhados em jornais, em parques de estacionamento. 'Só há um chefe na ilha,' terá dito a testemunha aos investigadores sobre a influência de Heyliger, acrescentando que 'se o ex-ministro não fosse pago, a VolkerWessels não receberia mais contratos.'
Investigação alargada de corrupção
Este caso faz parte da investigação mais ampla 'Larimar', que expôs a corrupção sistémica nos processos de contratação pública de São Martinho. Heyliger foi condenado em 2020 por aceitar quase 4 milhões de dólares em subornos relacionados com várias obras públicas e recebeu uma pena de prisão de cinco anos. O MP está agora a tentar responsabilizar as empresas holandesas pelo seu alegado papel no esquema de corrupção.
Um ex-diretor das subsidiárias da VolkerWessels enfrenta uma multa separada de 17.500 euros, embora o MP tenha reduzido as multas totais em 12,5% devido à longa duração do caso e ao facto de o diretor alegadamente não ter obtido benefício financeiro pessoal com o esquema. Ambas as subsidiárias envolvidas já não estão ativas.
Reação da empresa e impacto no setor
A VolkerWessels, considerada a segunda maior construtora da Holanda, não quis comentar as acusações. Um porta-voz da empresa declarou: 'Na quinta-feira, apresentaremos a nossa versão dos factos em detalhe no tribunal.' A empresa afirmou anteriormente que o projeto da ponte resultou em perdas financeiras, e não em lucros.
O caso surge num momento sensível para a VolkerWessels, que em 2025 foi parcialmente adquirida pela Boskalis e pela HAL. O setor da construção está sob pressão crescente devido à corrupção em projetos internacionais, e este caso mostra como as empresas holandesas têm de navegar em ambientes regulatórios complexos no estrangeiro.
Especialistas jurídicos observam que, se condenadas, as empresas podem não só enfrentar multas pesadas, mas também danos reputacionais significativos que podem afetar futuros contratos internacionais. O caso também levanta questões sobre a governação corporativa e os procedimentos de conformidade dentro das grandes construtoras que operam em regiões com diferentes riscos de corrupção.
A audiência judicial está marcada para quinta-feira, onde a VolkerWessels apresentará a sua defesa. Espera-se uma sentença ainda este ano, que poderá estabelecer precedentes importantes sobre como as empresas holandesas são responsabilizadas por corrupção em projetos no estrangeiro.
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