Crosta Seca Mantém África Unida, Revela Estudo Geológico

Pesquisadores descobrem que a crosta continental seca e desidratada é surpreendentemente forte, explicando por que a divisão continental da África ocorre lentamente. Atividade vulcânica antiga removeu água e CO2, criando zonas resistentes que a deformação atual evita.

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Descoberta Geológica Desafia Teorias de Fratura Continental

Em um estudo revolucionário que desafia pressupostos geológicos de longa data, pesquisadores da Universidade Tulane e uma equipe internacional descobriram por que alguns continentes resistem à fratura enquanto outros se separam. A pesquisa, publicada na Nature, revela que a crosta continental seca e pobre em gases é surpreendentemente forte e resistente à deformação - uma descoberta que explica por que a divisão continental da África está ocorrendo muito mais lentamente do que o esperado.

O Mistério do Vale do Rift da África Oriental

O estudo concentrou-se no Sistema do Vale do Rift da África Oriental, uma das zonas de fratura continental mais ativas da Terra, onde a placa africana está gradualmente se dividindo nas placas da Somália e da Núbia. Embora esse processo tenha começado há cerca de 30 milhões de anos, a separação está ocorrendo notavelmente devagar, com menos de um centímetro por ano. 'Sempre assumimos que a crosta esticada e afinada permaneceria fraca e vulnerável a novas fraturas,' explica Martin Musila, um estudante de doutorado que co-liderou a pesquisa. 'Mas nossas descobertas mostram exatamente o oposto - a desidratação torna a placa mais forte.'

Desidratação Vulcânica Antiga

A descoberta principal gira em torno da Depressão de Turkana, uma área de baixa altitude entre o Quênia e a Etiópia que passou por uma tentativa anterior de separação continental entre 80 e 60 milhões de anos atrás. Durante esse período, a atividade vulcânica removeu água e dióxido de carbono das profundezas da placa tectônica, essencialmente desidratando a crosta. 'Cerca de 80 milhões de anos atrás, água e CO2 foram extraídos das camadas profundas da placa pelo vulcanismo,' disse Musila ao EurekAlert. 'Mas através da desidratação, a placa realmente se torna mais forte.'

Implicações Geológicas Modernas

A equipe de pesquisa usou medições subterrâneas avançadas, incluindo monitoramento de terremotos e dados GPS, para criar mapas 3D detalhados do subsolo. Esses mapas mostraram claramente que a deformação atual e a atividade vulcânica estão ativamente evitando as partes finas e secas da crosta. 'Nossa pesquisa mostra que o vulcanismo e a extensão da placa evitam as partes finas e secas das placas continentais,' enfatizou Musila. Essa descoberta tem implicações profundas para a compreensão dos riscos de terremotos e vulcões em zonas de fratura em todo o mundo.

Significado Científico Mais Amplo

A descoberta desafia pressupostos fundamentais na tectônica de placas e na teoria de fratura continental. De acordo com o Phys.org, a pesquisa inverte a crença de longa data de que uma vez afinada, a litosfera permanece fraca e suscetível à reativação. Em vez disso, essas seções desidratadas agora atuam como barreiras para a deformação, com processos vulcânicos e tectônicos contornando essas áreas fortalecidas. As descobertas também oferecem insights cruciais para a localização de recursos minerais e energéticos em antigas zonas de fratura, incluindo aplicações potenciais ao longo da Costa do Golfo dos Estados Unidos.

A colaboração internacional incluiu pesquisadores da Universidade Tulane, Universidade de Montana, Imperial College London, Universidade de Addis Ababa na Etiópia e universidades no Quênia. Seu trabalho mostra que a litosfera da Terra carrega uma 'memória' de eventos geológicos anteriores que continua a moldar processos tectônicos modernos milhões de anos depois.

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