Criador de Dilbert, Scott Adams, morre após batalha contra câncer

Scott Adams, criador da icônica tirinha Dilbert, faleceu aos 68 anos vítima de câncer de próstata. Sua sátira do mundo do trabalho alcançou milhões, mas sua carreira foi ofuscada por comentários racistas em 2023.

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Cartunista icônico deixa legado complexo

Scott Adams, o criador da popular tirinha mundial Dilbert, faleceu aos 68 anos após uma batalha contra câncer de próstata metastático. Sua ex-esposa, Shelly Miles, anunciou sua morte durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, onde leu uma mensagem final de Adams refletindo sobre sua vida e carreira.

'Tive uma vida incrível. Dei tudo o que tinha,' escreveu Adams na declaração postada em suas contas nas redes sociais. Ele pediu aos fãs que compartilhassem seu trabalho com outros: 'Esse é o legado que quero deixar.'

A ascensão de Dilbert

Adams criou Dilbert em 1989 enquanto trabalhava na Pacific Bell, inspirado por suas experiências no mundo corporativo americano. A tirinha, sobre um engenheiro que luta contra a burocracia absurda no local de trabalho, conquistou trabalhadores de escritório em todo o mundo. Em seu auge, Dilbert apareceu em 2000 jornais em 65 países e foi traduzida para 25 idiomas, de acordo com a Wikipedia.

A tirinha gerou inúmeros livros, uma série de televisão animada e se tornou um fenômeno cultural. Em 1997, Adams recebeu o prestigioso Prêmio Reuben e Dilbert se tornou o primeiro personagem fictício incluído na lista das pessoas mais influentes da América da revista Time.

Anos posteriores controversos

A carreira de Adams tomou um rumo dramático nos últimos anos, quando ele passou a expressar com mais frequência suas opiniões políticas. Em 2023, a maioria dos jornais e seu distribuidor deixaram de publicar Dilbert após ele fazer comentários durante uma transmissão no YouTube que foram amplamente condenados como racistas.

Durante a transmissão, Adams rotulou afro-americanos que discordavam da afirmação 'Está tudo bem ser branco' como um 'grupo de ódio' e disse que não ajudaria mais afro-americanos. Ele alegou posteriormente que seus comentários foram exagerados para causar efeito, mas o estrago estava feito. Conforme relatado pela NBC News, isso levou ao colapso de sua carreira editorial convencional.

Luta contra a doença e últimos dias

Adams revelou seu diagnóstico de câncer de próstata em maio de 2025, anunciando que o câncer havia se espalhado para seus ossos. Em seus últimos meses, ele recebeu cuidados paliativos em casa no norte da Califórnia e foi tratado com Pluvicto, uma radioterapia direcionada para câncer de próstata.

Seus problemas de saúde ganharam atenção quando ele pediu publicamente ajuda ao ex-presidente Donald Trump com seu seguro médico. Trump respondeu positivamente e Adams relatou posteriormente que seu tratamento havia sido agendado. Em uma declaração após a morte de Adams, Trump o chamou de 'um homem fantástico que me respeitou quando isso não era comum.'

De acordo com a Fortune, pouco antes de sua morte, Adams se converteu ao cristianismo e aceitou Jesus Cristo como seu senhor e salvador.

Um legado dividido

Adams deixa um legado complexo. Para milhões, ele criou uma das sátiras de trabalho mais reconhecíveis de todos os tempos, que deu voz às frustrações de trabalhadores de escritório em todo o mundo. No entanto, seus comentários controversos posteriores criaram uma profunda divisão.

Como observou um comentarista cultural: 'Scott Adams nos deu o vocabulário para rir dos absurdos corporativos, mas sua jornada pessoal nos lembra que os criadores são frequentemente mais complexos do que suas criações.'

A tirinha Dilbert continua como 'Dilbert Reborn' em plataformas de assinatura, embora sua presença nos jornais convencionais nunca tenha se recuperado da controvérsia de 2023. Adams deixa sua ex-esposa e sua criação duradoura, que continua a ressoar com trabalhadores de escritório que navegam pelos absurdos do mundo corporativo.

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