Milhares protestam em Praga pela independência da mídia pública
Milhares de tchecos se reuniram em Praga no domingo para protestar contra o plano do governo que reformularia o financiamento das emissoras públicas do país, a Televisão Tcheca (CT) e a Rádio Tcheca (CRO). A manifestação, organizada por grupos de oposição e organizações da sociedade civil, sinaliza crescente preocupação com a independência da mídia sob o governo populista de direita do primeiro-ministro Andrej Babis.
A reforma proposta substituiria o atual sistema financiado por taxas obrigatórias de ouvintes e telespectadores por financiamento direto do orçamento do Estado. Críticos alertam que essa mudança pode tornar a mídia pública vulnerável a pressões políticas, ecoando desenvolvimentos na Hungria e Eslováquia, onde reformas semelhantes levaram ao controle governamental sobre as emissoras.
Qual é o plano do governo para o financiamento da mídia pública?
O governo tcheco, liderado pelo primeiro-ministro Babis e seu partido ANO em coalizão com dois partidos de extrema direita (SPD e Motoristas por Si Mesmos), pretende abolir o sistema de taxas de licenciamento que financia a radiodifusão pública independente há 33 anos. Atualmente, famílias e empresas pagam aproximadamente €8 por mês, gerando cerca de €450 milhões anuais para CT e CRO.
No novo modelo, o financiamento viria diretamente do orçamento do Estado — mas a um nível 15% inferior às alocações atuais, sem garantias para financiamento futuro. O governo diz que isso modernizará o sistema e reduzirá custos, mas diretores de ambas as emissoras alertam que 450 a 700 empregos podem ser perdidos entre os cerca de 4.000 funcionários. A crise da radiodifusão pública tcheca tornou-se um ponto crítico no cenário político do país.
Por que os manifestantes estão preocupados com a independência da mídia?
Manifestantes carregavam cartazes com slogans como 'Mídia livre para uma sociedade livre' e 'Para sempre Televisão Tcheca'. O organizador Mikulas Minar do grupo Milhões de Momentos pela Democracia disse à multidão: 'A mídia não pertence aos políticos. Pertence a todos nós.'
Críticos argumentam que Babis, um empresário bilionário e aliado do presidente dos EUA Donald Trump e do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, está seguindo o manual usado na Hungria e Eslováquia. Na Hungria, o governo de Orbán trouxe sistematicamente a mídia pública sob controle governamental após 2010, enquanto na Eslováquia, a reforma de 2024 do primeiro-ministro Robert Fico na emissora pública RTVS fez a audiência despencar para apenas 11,9%. As regulamentações da UE para liberdade de mídia estão sendo testadas por esses desenvolvimentos.
Babis negou qualquer intenção de interferir no conteúdo editorial, mas seu acordo de coalizão declara explicitamente o objetivo de mudar o financiamento da mídia pública. O governo tem uma confortável maioria de 108 assentos no parlamento, suficiente para anular qualquer oposição.
Quais são as implicações políticas mais amplas?
Babis voltou ao poder em dezembro de 2025 após seu partido ANO vencer com 34,5% dos votos nas eleições de outubro de 2025. Sua coalizão inclui o SPD de extrema direita e o partido eurocético Motoristas por Si Mesmos. O governo também sinalizou planos para reduzir o apoio à Ucrânia e resistir a certas políticas da UE, alinhando-se com Orbán e Fico.
O protesto de domingo é o mais recente de uma série de manifestações contra o governo Babis. No início da primavera, grandes comícios antigovernamentais reuniram dezenas de milhares de pessoas. As consequências das eleições tchecas de 2025 aprofundaram a polarização política no país.
Funcionários da CT exibiram uma faixa da janela de seu escritório agradecendo aos manifestantes, com a mensagem 'Agradecemos'. Funcionários da emissora pública realizam ações internas contra os planos do gabinete.
FAQ: Crise de financiamento da mídia pública tcheca
Qual é o modelo atual de financiamento da mídia pública tcheca?
A Televisão Tcheca e a Rádio Tcheca são financiadas por taxas mensais obrigatórias pagas por famílias e empresas — aproximadamente €8 por família. Esse sistema está em vigor desde 1992 e gera cerca de €450 milhões anuais.
O que o governo quer mudar?
O governo quer substituir o sistema de taxas por financiamento direto do orçamento do Estado. O orçamento proposto seria 15% menor que os níveis atuais, sem garantias de aumentos futuros.
Por que os críticos se opõem à reforma?
Críticos dizem que a reforma ameaça a independência editorial ao tornar as emissoras públicas dependentes das decisões orçamentárias anuais do governo, abrindo caminho para interferência política. Eles apontam Hungria e Eslováquia como exemplos de advertência.
Quantos empregos estão em risco?
Diretores da CT e CRO estimam que 450 a 700 empregos podem ser cortados, de uma força de trabalho total de cerca de 4.000.
O que acontece a seguir?
A maioria da coalizão no governo significa que o projeto provavelmente será aprovado no parlamento. No entanto, a pressão pública e possíveis desafios legais podem atrasar ou alterar a reforma. A Comissão Europeia também monitora a situação quanto à conformidade com os padrões de liberdade de mídia da UE.
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