O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, gerou controvérsia internacional ao afirmar que os detentos mantidos no campo de detenção da Baía de Guantánamo deveriam ter sido executados há muito tempo. Falando a jornalistas após visitar a base naval em Cuba em 10 de junho de 2026, Hegseth declarou que os prisioneiros "já deveriam ter sido executados" por seus crimes contra o povo americano, culpando o entupimento dos mecanismos do sistema de justiça e a interferência de grupos internacionais e advogados pelos atrasos.
Conexão pessoal de Hegseth com Guantánamo
As declarações de Hegseth têm peso especial devido à sua história pessoal com a instalação. O secretário serviu como guarda em Guantánamo em 2004 e 2005, como oficial de infantaria da Guarda Nacional do Exército de Minnesota. Sua atuação ocorreu quando o local abrigava mais de 500 detentos, muitos sem acusações formais. Ele afirmou: "Na minha opinião pessoal, os prisioneiros de Guantánamo deveriam ter sido executados há muito tempo por seus crimes contra o povo americano. Infelizmente, as engrenagens da justiça americana entupiram." Ele criticou a obstrução de organizações internacionais e advogados de direitos humanos. Suas posições alinham-se à linha dura da administração Trump, que prometeu manter o campo aberto indefinidamente. A controvérsia da detenção em Guantánamo é um tema recorrente na política dos EUA há mais de duas décadas.
Situação atual dos detentos
Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, 15 detentos permanecem em Guantánamo em junho de 2026, contra um pico de quase 780 desde 2002. Eles se dividem em:
- Dois condenados por comissão militar, incluindo Ali al-Bahlul (Iêmen) em prisão perpétua e Nashwan al-Tamir (Iraque) com acordo de confissão secreto.
- Sete acusados em processos em andamento, incluindo o caso de alto perfil do 11/9 contra Khalid Sheikh Mohammed e quatro co-réus.
- Três detidos indefinidamente sem acusação, os "prisioneiros eternos", como Abu Zubaydah, Abu Faraj al-Libi e Muhammad Rahim.
- Três liberados para transferência a outros países, pendentes acordos de segurança.
O detento mais proeminente é Khalid Sheikh Mohammed, alegado mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001 que mataram quase 3.000 pessoas. Seu caso e de quatro co-réus está em processos preliminares desde 2008. Em julho de 2024, Mohammed e dois co-réus concordaram em se declarar culpados em troca de prisão perpétua, mas o então secretário de Defesa, Lloyd Austin, revogou o acordo dois dias depois. O caso permanece em limbo jurídico.
Reação internacional e direitos humanos
Organizações de direitos humanos condenaram as declarações de Hegseth como um apelo a execuções extrajudiciais. O campo de Guantánamo é amplamente criticado por tratamento de detentos, incluindo técnicas de interrogatório consideradas tortura, detenção indefinida sem julgamento e comissões militares que não atendem aos padrões legais internacionais. A instalação foi criada em 2002 pelo presidente George W. Bush para deter suspeitos de terrorismo após o 11/9. Vários presidentes tentaram fechá-la: Barack Obama reduziu a população de 250 para 41, mas enfrentou oposição bipartidária; Joe Biden também prometeu, mas deixou o cargo com 15 detentos; Donald Trump, que retornou em 2025, assinou ordem executiva para manter o campo aberto indefinidamente. As normas internacionais de detençãosistema de comissões militares dos EUA em Guantánamo