Show do Bad Bunny no Super Bowl expõe divisões políticas nos EUA

O show do intervalo do Super Bowl de Bad Bunny se tornou um campo de batalha político, expondo profundas divisões sobre imigração, identidade americana e representação cultural.

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Show do Bad Bunny no Super Bowl vira palco de guerra cultural

Enquanto os Estados Unidos se preparam para o Super Bowl 60, o campeonato anual da National Football League, todos os olhos estão voltados para a superestrela porto-riquenha Bad Bunny, cujo show do intervalo se tornou um ponto focal nas guerras culturais americanas. O artista, cujo nome verdadeiro é Benito Antonio Martínez Ocasio, fará história como o primeiro artista solo latino-americano a realizar o show do intervalo do Super Bowl, mas sua seleção gerou intensa controvérsia política.

A controvérsia explicada

O ativismo político declarado de Bad Bunny, particularmente sua crítica ao serviço de imigração dos EUA (ICE), o tornou uma figura polarizadora. Durante o Grammy Awards de 2026, onde ganhou o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana, o artista usou seu discurso de agradecimento para gritar 'ICE out!' e defender os direitos dos imigrantes. Esta declaração corajosa, juntamente com seu apoio anterior a candidatos democratas e sua recusa em fazer turnê nos EUA devido a preocupações com operações do ICE contra seus fãs, gerou fortes críticas de conservadores.

O ex-presidente Donald Trump chamou a decisão da NFL de 'absolutamente ridícula' e afirmou nunca ter ouvido falar do artista. Outras figuras conservadoras, incluindo o presidente da Câmara, Mike Johnson, se juntaram às críticas, com alguns questionando se um artista que canta em espanhol pertence ao que consideram um palco 'americano'.

Oposição política e programação alternativa

A controvérsia levou a uma oposição organizada. A organização conservadora Turning Point USA anunciou planos para um 'All-American Halftime Show' alternativo com o artista aliado de Trump, Kid Rock. O grupo declarou que queria levar 'a guerra cultural americana ao palco principal' com 'nada de besteira woke. Apenas verdade. Apenas liberdade. Apenas América.'

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, adicionou combustão ao avisar que agentes do ICE estariam 'presentes em todos os lugares' durante o Super Bowl, embora seu escritório tenha posteriormente amenizado a declaração. Vários protestos anti-ICE foram anunciados ao redor do estádio em Santa Clara, Califórnia, onde o jogo será realizado.

O status complexo de Porto Rico

No centro da controvérsia está o status político único de Porto Rico como território americano. Embora os porto-riquenhos sejam cidadãos americanos, eles não têm representação plena de voto no Congresso e não podem votar nas eleições presidenciais. Esta relação complexa é um tema recorrente na música de Bad Bunny, onde ele explora a identidade latino-americana dentro da sociedade americana e os medos de deslocamento de sua terra natal.

Valerie Colon, uma estudante porto-riquenha de 19 anos que estuda em Washington DC, disse a repórteres: 'Ele mostra que você deve perseguir seu sonho, mesmo que não fale inglês perfeitamente ou as pessoas não gostem de sua presença.' Colon vê Bad Bunny como um representante crucial para a comunidade latina.

Defesa da NFL e estratégia global

Apesar da tempestade política, o comissário da NFL, Roger Goodell, defendeu a seleção. Em uma declaração recente, Goodell observou que 'todos os artistas do intervalo recebem críticas' e que a escolha de Bad Bunny foi 'cuidadosamente considerada.' A liga vê a superestrela porto-riquenha como fundamental para expandir seu alcance internacional, especialmente na América Latina.

Bad Bunny foi o artista mais transmitido no Spotify globalmente em quatro dos últimos cinco anos, com seu último álbum lhe rendendo um Grammy na semana passada. Sua imensa popularidade representa o que a NFL espera ser uma ponte para novos públicos globais.

Uma nação dividida assiste

Enquanto milhões assistem ao que tradicionalmente é o evento de televisão mais assistido da América, o show do intervalo se tornou mais do que apenas entretenimento—é um referendo sobre identidade americana, política de imigração e representação cultural. Se a performance de Bad Bunny unirá a nação ou a dividirá ainda mais, isso ainda está para ser visto, mas uma coisa é certa: este show do intervalo do Super Bowl será lembrado tanto por sua política quanto por sua música.

Fontes

USA Today: Controvérsia do Bad Bunny no Super Bowl

Time Magazine: Controvérsia política do Bad Bunny

Hollywood Reporter: Protesto ICE no Grammy

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