Congresso chega a acordo para encerrar shutdown parcial do governo
Após dias de negociações tensas e manobras políticas de alto risco, o Congresso dos Estados Unidos aprovou um enorme pacote de gastos de US$ 1,2 trilhão que põe fim ao shutdown parcial do governo que começou no fim de semana passado. A Câmara dos Representantes aprovou a legislação por uma votação apertada de 217 a 214, seguida pela aprovação no Senado, e o presidente Donald Trump sancionou a lei na noite de terça-feira.
O acordo bipartidário financia a maioria das agências federais até 30 de setembro de 2026, o final do ano fiscal, mas contém um compromisso crucial: o Departamento de Segurança Interna (DHS) recebe apenas duas semanas de financiamento temporário, até 13 de fevereiro. Isso prepara o cenário para um novo possível confronto sobre política de imigração nos próximos dias.
Confronto político sobre financiamento da ICE
O shutdown girou em torno das demandas dos democratas por reformas nas operações da Imigração e Alfândega (ICE). Os democratas pressionaram por mudanças significativas, incluindo o uso obrigatório de câmeras corporais por agentes da ICE, o fim das patrulhas móveis e a implementação de mandados judiciais para certas operações.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, enfrentou um difícil ato de equilíbrio, precisando garantir apoio republicano quase unânime enquanto navegava pelas demandas democratas. 'Não pode haver mudanças neste momento,' disse o presidente Trump em uma postagem nas redes sociais pedindo unidade republicana. 'O fechamento do governo deve ser revertido o mais rápido possível, e espero que todos os republicanos e democratas, como eu, apoiem este projeto de lei.'
Johnson conseguiu obter os votos necessários após intensos esforços de lobby. 'Isso nos dá o fôlego necessário para negociações sérias sobre reformas da ICE,' disse um alto assessor democrata familiarizado com as negociações.
Impacto econômico e contexto histórico
Este é o segundo shutdown do governo em apenas alguns meses, após o recorde de 43 dias no final de 2025 que custou à economia americana cerca de US$ 11 bilhões, de acordo com a análise da Al Jazeera. Aquele shutdown foi o mais longo da história americana e resultou em licença não remunerada para cerca de 900.000 funcionários federais.
O Escritório de Orçamento do Congresso alertou que mesmo shutdowns curtos podem ter consequências econômicas significativas, interrompendo serviços governamentais, causando atrasos na divulgação de dados econômicos e reduzindo a confiança do consumidor. O recente relatório do CBO destacou como os shutdowns criam incertezas que podem se espalhar pela economia mais ampla.
O que vem a seguir
Com a crise imediata afastada, a atenção se volta para o prazo de duas semanas para o financiamento do DHS. Os democratas deixaram claro que continuarão pressionando por reformas da ICE durante este período. 'Este é apenas um alívio temporário,' disse o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries. 'Precisamos de mudanças substanciais para garantir que a aplicação da lei de imigração seja realizada de forma justa e transparente.'
Enquanto isso, os republicanos comemoram a prevenção de um shutdown prolongado. 'Mantivemos o governo aberto enquanto protegíamos nossas prioridades de segurança nas fronteiras,' disse o presidente Johnson em um comunicado após a votação.
A proposta de compromisso representa a clássica negociação de Washington: adiar o problema mais controverso enquanto financia todo o resto. Se essa abordagem levará a uma reforma significativa da imigração ou simplesmente preparará o terreno para um novo shutdown em duas semanas, ainda está por ser visto. A política de imigração continua sendo uma das questões mais divisivas na política americana, com debates acalorados sobre segurança nas fronteiras, asilo e o tratamento de imigrantes indocumentados. A capacidade do Congresso de encontrar um terreno comum neste prazo apertado será um teste crucial para a governabilidade.
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