Governo militar consolida poder em país da África Ocidental
A junta militar de Burkina Faso deu um passo drástico para consolidar seu poder ao dissolver todos os partidos políticos do país. O decreto, aprovado pelo governo em 29 de janeiro de 2026, abole formalmente a oposição política organizada e transfere todos os bens dos partidos para o Estado.
'Proliferação' de partidos como justificativa
O ministro do Interior, Emile Zerbo, defendeu a decisão, afirmando que havia 'uma proliferação de partidos políticos, que levou a excessos e divisão entre os cidadãos'. Ele alegou que a medida era necessária para reconstruir o Estado e prometeu que projetos de lei para a criação de futuros partidos políticos seriam apresentados ao parlamento 'o mais rápido possível'.
O governo militar, liderado pelo capitão Ibrahim Traoré, que chegou ao poder em setembro de 2022 através de um golpe de Estado, vem gradualmente restringindo atividades políticas desde a tomada do poder. Antes do golpe, Burkina Faso tinha mais de 100 partidos políticos registrados, dos quais 15 estavam representados no parlamento, de acordo com relatórios da Al Jazeera.
Padrão regional de consolidação autoritária
Esta medida segue um padrão preocupante na África Ocidental, onde governos militares nos países vizinhos Mali e Níger também restringiram atividades políticas. Burkina Faso juntou-se a esses países na formação da Aliança dos Estados do Sahel (AES), um bloco de cooperação militar e econômica que se distanciou da antiga potência colonial França e voltou-se para a Rússia em busca de apoio em segurança.
'Isso representa uma escalada significativa na consolidação do poder pelo regime militar,' observou uma análise da Reuters, acrescentando que a decisão efetivamente elimina a oposição organizada e as estruturas políticas democráticas.
Problemas de segurança e erosão democrática
A junta citou problemas de segurança persistentes como justificativa para suas medidas autoritárias. Burkina Faso luta há anos com a violência jihadista, com a região do Sahel sendo descrita como 'o epicentro global do terrorismo' em um relatório do Institute for Economics & Peace. O relatório indica que Burkina Faso foi responsável por um quinto de todas as mortes globais por terrorismo em 2024.
Apesar das alegações de Traoré sobre ganhos territoriais contra jihadistas, críticos questionam essas afirmações e apontam para a deterioração da situação humanitária. O país testemunhou vários golpes de Estado desde sua independência em 1960, com dois ocorrendo apenas em 2022.
Preocupações internacionais e implicações futuras
A dissolução dos partidos políticos segue outras medidas restritivas, incluindo o adiamento de eleições que deveriam restaurar o governo civil e a dissolução da Comissão Eleitoral independente. Organizações de direitos humanos expressaram preocupação com a erosão das normas democráticas.
'Esta ação efetivamente elimina a oposição política organizada na nação da África Ocidental e representa um passo significativo em direção ao governo autoritário,' relatou a Associated Press.
A medida ocorre em meio a relatos de um suposto plano de assassinato contra Traoré que teria sido frustrado no início de janeiro de 2026. Agora que os partidos políticos estão oficialmente banidos, Burkina Faso junta-se a uma lista crescente de países africanos onde governos militares estão atrasando ou abandonando transições para governança democrática, levantando questões sérias sobre o futuro da governança na região.
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