Hamas aceita pontos-chave do plano de paz de Trump para Gaza

Hamas aceita condicionalmente o plano de paz de 20 pontos de Trump para Gaza, concordando com a libertação de reféns e transferência de governança, mas rejeitando desarmamento e supervisão internacional. A resposta revela divisões internas e enfrenta resistência da coalizão de direita de Israel.

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Edicao: PT

Hamas aceita pontos centrais da proposta de Trump para Gaza

Em um desenvolvimento significativo que pode pôr fim ao conflito de quase dois anos em Gaza, o Hamas deu um 'sim' condicional ao plano de paz de 20 pontos do ex-presidente Donald Trump. O grupo militante concordou com a libertação de todos os reféns restantes e a transferência da administração de Gaza para um comitê tecnocrático palestino, mas rejeitou elementos cruciais, incluindo desarmamento e supervisão internacional.

'Estamos dispostos a negociar imediatamente e libertar todos os reféns de acordo com a fórmula de troca proposta,' declarou um porta-voz do Hamas em sua resposta oficial. 'Mas nunca aceitaremos que alguém que não seja palestino controle os palestinos.'

Plano de 20 pontos de Trump: As principais disposições

A proposta de paz abrangente, divulgada pela Casa Branca em setembro de 2025, delineia um quadro detalhado para encerrar o conflito que matou mais de 66.000 palestinos e deslocou 90% da população de Gaza. O plano pede a criação de uma "zona livre de terror desradicalizada" em Gaza com condições de cessar-fogo imediato.

Elementos importantes incluem a libertação de todos os reféns em 72 horas, troca de prisioneiros palestinos, estabelecimento de um comitê tecnocrático palestino para governança de transição e desarmamento completo do Hamas. O plano também propõe um "Conselho da Paz" presidido por Trump com Tony Blair como membro para orientar o processo de transição.

Onde o Hamas traça a linha

Embora o Hamas concorde com a libertação de reféns e transferência de governança, o grupo rejeitou firmemente o componente de supervisão internacional. 'A proposta do Conselho da Paz é totalmente inaceitável para nós,' declarou o comunicado do grupo. 'Não podemos ter potências estrangeiras ditando nosso futuro.'

O grupo também permaneceu em silêncio sobre o requisito crucial de desarmamento, sugerindo que podem estar dispostos a transferir "armas ofensivas" para o Egito sob supervisão da ONU, mas manter sistemas defensivos. Essa ambiguidade levanta sérias questões sobre a viabilidade de longo prazo de qualquer acordo.

Divisões internas complicam resposta

A resposta do Hamas revela divisões internas significativas dentro da organização. Desde a morte do líder Yahya Sinwar em Gaza, o movimento é liderado por um conselho político no exílio no Catar, enquanto comandantes militares mantêm o controle dentro de Gaza. 'Essa estrutura de liderança dupla complicou a tomada de decisões e causou atrasos na formulação de uma resposta unificada,' de acordo com mediadores árabes familiarizados com as negociações.

O analista israelense Yossi Melman observou, 'Trump disse a Netanyahu para ficar quieto e parar de lutar, e é isso que eles estão fazendo agora. Israel parece não seguir mais um curso independente nesta guerra.'

Governo israelense sob pressão política

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aceitou o plano de Trump e declarou que ele "atinge todos os objetivos de Israel". No entanto, ministros de sua coalizão de direita expressaram forte oposição e consideram a proposta uma derrota. Para eles, a libertação de membros do Hamas em troca de prisioneiros e a ausência de anexação territorial são particularmente difíceis de aceitar.

A guerra, que começou após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, criou profundas divisões políticas em Israel. Enquanto alguns veem o plano Trump como um caminho para encerrar o conflito, outros o consideram um comprometimento dos interesses de segurança de Israel.

Crise humanitária e próximos passos

O conflito criou uma das piores crises humanitárias da história recente, com a infraestrutura de Gaza amplamente destruída e a população enfrentando graves escassez de alimentos, água e suprimentos médicos. O plano Trump inclui disposições para assistência humanitária imediata e reconstrução de longo prazo, mas a implementação depende de negociações bem-sucedidas.

O Catar, que atua como principal mediador ao lado do Egito, acolheu a resposta do Hamas e enfatizou que as conversas de acompanhamento estão em andamento. Os próximos dias serão cruciais para determinar se esse avanço leva a uma paz sustentável ou apenas adia mais violência.

Como Mustafa Barghouti, líder da Iniciativa Nacional Palestina, enfatizou, 'Qualquer acordo deve garantir nossa liberdade e independência, e evitar tentativas de impor governança estrangeira em Gaza ou separá-la da Cisjordânia.'

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