Operação Thunder 2025 Registra Resultados Recordes
Numa operação de aplicação da lei em grande escala, autoridades de 134 países apreenderam quase 30.000 animais vivos e identificaram mais de 1.100 suspeitos durante a Operação Thunder 2025, onde a extração ilegal de madeira foi um foco proeminente. A ação coordenada, que decorreu de 15 de setembro a 15 de outubro de 2025, resultou em 4.640 apreensões, incluindo dezenas de milhares de animais e plantas protegidos, mais de 30 toneladas de espécies ameaçadas e um impressionante volume de 32.000 metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente.
'Esta operação mostra o nosso compromisso coletivo em perturbar as redes criminosas que lucram com a destruição ambiental,' disse um porta-voz da INTERPOL. 'A escala do comércio ilegal de madeira que expusemos é alarmante, mas a nossa resposta coordenada mostra que podemos fazer a diferença.'
Problemas de Rastreabilidade nas Cadeias de Abastecimento Expostos
Apesar das operações de fiscalização produzirem números de apreensão impressionantes, especialistas alertam que fraquezas sistêmicas na rastreabilidade da madeira continuam a facilitar a extração ilegal. Um relatório recente da Zoological Society of London (ZSL) destaca que ecossistemas florestais críticos em todo o mundo permanecem ameaçados por lacunas significativas nos sistemas de rastreabilidade da madeira. Os métodos atuais de rastreamento de produtos de madeira são insuficientes para prevenir a extração ilegal e o desmatamento em áreas florestais vulneráveis.
'Vemos madeira ilegal a infiltrar-se em cadeias de abastecimento legítimas porque os sistemas de verificação são inadequados,' explicou a Dra. Sarah Chen, especialista em silvicultura da ZSL. 'Sem uma rastreabilidade robusta da floresta ao produto final, os esforços de fiscalização apenas tratam os sintomas, não as causas.'
O problema é enorme em escala. De acordo com a INTERPOL, o crime florestal representa 15-30% do comércio global de madeira, com um valor de USD 51-152 mil milhões por ano. Isto causa perdas significativas de receitas fiscais, desmatamento, destruição de habitats, extinção de espécies e contribui para o aquecimento global.
Soluções Tecnológicas em Desenvolvimento
Tecnologias inovadoras estão a ser implementadas para enfrentar os desafios de rastreabilidade. A tecnologia Blockchain mostra uma promessa particular para criar registos seguros e transparentes da madeira, desde a origem até ao produto final. Investigação publicada na revista Computers and Electronics in Agriculture destaca como a blockchain pode fornecer transparência nas cadeias de abastecimento florestal e de madeira, combater o comércio ilegal de madeira a nível nacional e internacional e melhorar os sistemas de certificação.
'A blockchain cria um livro-razão digital imutável que regista cada etapa da floresta ao produto final,' disse o empreendedor de tecnologia Mark Rodriguez, cuja empresa desenvolve soluções de rastreamento de madeira. 'Isto torna impossível alterar os registos e ajuda a verificar a legalidade da madeira em complexas cadeias de abastecimento globais.'
Outras tecnologias incluem a codificação de ADN de amostras de madeira, rastreamento por GPS de remessas e sistemas de códigos QR que permitem aos consumidores rastrear a origem do produto. No entanto, a implementação enfrenta desafios, incluindo limitações de infraestrutura em florestas remotas, preocupações com a precisão da entrada de dados nos pontos de colheita e custos de adoção.
Enquadramento Jurídico e Processos Judiciais
O cenário jurídico para combater a extração ilegal de madeira inclui tratados internacionais como a CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas) e a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, juntamente com leis regionais como o Regulamento da Madeira da UE e a Lei Lacey dos EUA. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) desempenha um papel crucial no combate à extração ilegal de madeira e ao comércio de madeira em todo o mundo, aplicando estas leis ambientais e regulamentos comerciais internacionais.
'Entre 10-30% da madeira comercializada globalmente é ilegal, com percentagens que chegam a 90% para madeira tropical,' observou um funcionário da CBP. 'Os nossos agentes inspecionam remessas em todos os 328 portos de entrada dos EUA, aplicando a Lei Lacey e os regulamentos da CITES para impedir que madeira ilegal entre no lucrativo mercado americano.'
Processos judiciais notáveis incluem a violação da Lei Lacey pela Gibson Guitar Company em 2009, resultando numa multa de $300.000, e a Operação Congo Timber em 2014, que envolveu operações transfronteiriças em vários países africanos. Estes casos mostram que a extração ilegal de madeira é tanto nacional como transfronteiriça, exigindo cooperação entre múltiplas agências e colaboração internacional.
O Caminho a Seguir
Os especialistas concordam que é necessária uma abordagem multifacetada: operações de fiscalização mais fortes como a Operação Thunder, tecnologias de rastreabilidade melhoradas, responsabilidade empresarial através de due diligence nas cadeias de abastecimento e consciencialização dos consumidores. A pandemia de COVID-19 aumentou a extração ilegal de madeira, pois as comunidades recorrem a ela para sobreviver, tornando o trabalho de fiscalização ainda mais crítico para a proteção ambiental e a segurança económica.
'Precisamos de ir além de ações periódicas para soluções sistémicas,' concluiu a Dra. Chen. 'Isso significa investir em infraestrutura de rastreabilidade, fortalecer os quadros jurídicos e garantir que os produtores legítimos de madeira possam competir de forma justa nos mercados globais.'
À medida que a procura global por produtos de madeira continua a crescer, a luta contra a extração ilegal de madeira representa tanto um imperativo ambiental como uma necessidade económica. Com esforços internacionais coordenados e inovação tecnológica, há esperança para proteger as florestas do mundo enquanto se garante o comércio sustentável de madeira.
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