Negociações Globais de Tributação Digital Entram em Fase Crucial

As negociações globais de tributação digital avançam com a implementação do imposto mínimo de 15%. Os EUA garantem isenção para empresas americanas, enquanto a UE mantém ISDs. Os mecanismos do Pilar Dois incluem regras IIR e UTPR, com datas de implementação variando em mais de 140 países.

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Negociações Globais de Tributação Digital Entram em Fase Crucial

O cenário internacional de tributação de serviços digitais está passando pela transformação mais significativa em décadas, enquanto os países navegam pela implementação complexa da solução de Dois Pilares da OCDE. Com mais de 140 jurisdições comprometidas com o quadro, o imposto mínimo global de 15% para empresas multinacionais com receita acima de €750 milhões representa uma mudança fundamental em como os gigantes digitais são tributados mundialmente.

Posições dos Países e Dinâmica Política

Os Estados Unidos fecharam um acordo histórico que isenta as empresas americanas do quadro do Pilar Dois da OCDE, preservando a soberania tributária dos EUA. 'Este acordo protege os trabalhadores e empresas americanos de excessos extraterritoriais, mantendo a liderança americana em inovação,' declarou o Secretário do Tesouro Scott Bessent em um anúncio recente. O acordo, envolvendo mais de 145 países da OCDE/G20, garante que as multinacionais americanas permaneçam sujeitas apenas às regras de imposto mínimo domésticas.

Enquanto isso, os países europeus continuam implementando Impostos sobre Serviços Digitais (ISDs) como medidas provisórias, com alíquotas variando de 1,5% a 7,5% em 11 países, incluindo França, Itália, Espanha e Reino Unido. Esses impostos deveriam ser retirados sob o Pilar Um em junho de 2024, mas prazos perdidos criaram incerteza. 'A extensão da moratória até junho de 2024 reflete nosso compromisso contínuo com o diálogo construtivo,' observou uma declaração conjunta dos EUA, Áustria, França, Itália, Espanha e Reino Unido.

A China expressou apoio à criação de um regime tributário internacional 'justo e sustentável', enquanto países como Irlanda, Hungria e Estônia concordaram com o plano da OCDE sob a condição de que a alíquota de 15% não seja aumentada ainda mais.

Mecanismos de Imposto Mínimo Explicados

O quadro do Pilar Dois opera por meio de dois mecanismos primários: a Regra de Inclusão de Renda (IIR) e a Regra de Pagamentos Insuficientemente Tributados (UTPR). A IIR aplica uma abordagem de cima para baixo, na qual a Entidade Controladora Final calcula e paga um 'imposto complementar' para subsidiárias tributadas abaixo de 15%. Isso se aplica apenas a grupos multinacionais com receita anual consolidada acima de €750 milhões.

A UTPR serve como um mecanismo de segurança quando a IIR não é totalmente aplicável. Ela exige que jurisdições onde entidades constituintes estão localizadas considerem a responsabilidade tributária residual por meio da negação de deduções fiscais ou ajustes equivalentes. 'A UTPR garante que, quando o imposto complementar não for totalmente alocado sob a IIR, outras jurisdições intervenham para cobrir a diferença,' explica um especialista tributário da OECD Pillars.

Cálculos importantes incluem a determinação da renda GloBE, impostos cobertos e alíquotas efetivas de imposto por jurisdição, com uma Exclusão de Renda Baseada em Substância (SBIE) protegendo a renda de atividades econômicas reais.

Datas de Implementação e Expansão Global

Os cronogramas de implementação variam significativamente entre as jurisdições. A União Europeia adotou a Diretiva de Imposto Mínimo, com muitos estados-membros implementando legislação doméstica para 2024. De acordo com o Rastreador de Países do Pilar Dois da PwC, mais de 140 países estão em vários estágios de implementação.

Japão e Reino Unido estavam entre os primeiros a elaborar diretrizes de implementação, enquanto muitos outros signatários ainda estão em processos legislativos. A UTPR está programada para entrar em vigor a partir de 2025, embora alguns países tenham portos seguros de transição para jurisdições com alíquotas de imposto corporativo de pelo menos 20% até dezembro de 2026.

'O mosaico de datas de implementação cria desafios de conformidade para multinacionais que operam em várias jurisdições,' observa um relatório da BDO Global. As empresas devem acompanhar datas de início variáveis, com alguns países aplicando regras para anos fiscais que começam em ou após 31 de dezembro de 2023, enquanto outros têm datas de início posteriores.

Implicações Empresariais e Perspectivas Futuras

O imposto mínimo global representa uma mudança sísmica para as empresas multinacionais, particularmente nos setores de tecnologia e digital. As empresas agora enfrentam requisitos complexos de conformidade em várias jurisdições, com a necessidade de calcular alíquotas efetivas de imposto para cada país de operação.

O vencimento do prazo do Pilar Um em julho de 2024 levantou preocupações sobre potenciais novos Impostos sobre Serviços Digitais. 'Com o prazo do Pilar Um vencido, os países provavelmente seguirão em frente com a implementação de novos ISDs direcionados a grandes empresas digitais multinacionais,' alerta um comunicado da Dentons.

Enquanto as negociações continuam, a comunidade internacional enfrenta o desafio de equilibrar interesses nacionais com cooperação global. O sucesso desta histórica reforma tributária dependerá de implementação consistente, mecanismos eficazes de resolução de disputas e engajamento diplomático contínuo entre os países participantes.

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