Os militares dos Estados Unidos realizaram uma nova onda de ataques aéreos contra suspeitas embarcações de tráfico de drogas no leste do Oceano Pacífico, matando seis pessoas em um período de três dias. O último ataque, realizado em 21 de junho de 2026, deixou dois mortos e seis sobreviventes, segundo o Comando Sul dos EUA. Isso eleva o número total de mortos na campanha desde setembro de 2025 para mais de 210, com mais de 60 ataques realizados.
Contexto: A Campanha em Escalada
Desde que o governo Trump declarou um "conflito armado" com cartéis de drogas latino-americanos em setembro de 2025, os militares dos EUA têm atacado agressivamente embarcações suspeitas de transportar narcóticos no Mar do Caribe e no Pacífico oriental. A campanha, liderada pelo Comando Sul dos EUA (USSOUTHCOM), baseia-se em alegações de inteligência de que os barcos operam em rotas conhecidas de tráfico de drogas. No entanto, os EUA não forneceram publicamente evidências de que as embarcações transportavam drogas no momento dos ataques, o que gerou fortes críticas de organizações de direitos humanos e especialistas jurídicos, que argumentam que os ataques podem constituir execuções extrajudiciais sob o direito internacional. Os ataques aéreos do Comando Sul dos EUA tornaram-se uma pedra angular da estratégia mais ampla do governo para combater o tráfico de drogas.
Detalhes dos Últimos Ataques
Ataque de 21 de Junho
Em 21 de junho, um ataque aéreo dos EUA atingiu um barco no Pacífico oriental, matando dois homens e deixando seis sobreviventes. O USSOUTHCOM divulgou imagens do ataque nas redes sociais, mostrando a embarcação sendo atingida e explodindo. O destino dos sobreviventes permanece desconhecido. Os militares afirmaram que o barco estava em uma "rota conhecida de tráfico de drogas", mas não forneceram evidências de contrabando a bordo.
Ataques Anteriores Esta Semana
No início da semana, os EUA realizaram dois ataques adicionais. Em 18 de junho, um ataque matou três pessoas, e em 16 de junho, uma pessoa morreu e duas sobreviveram. Esses ataques elevaram o número total de mortos para mais de 210 desde o início da campanha, segundo a Associated Press. Os EUA não divulgaram a identidade de nenhuma das vítimas.
Preocupações Legais e de Direitos Humanos
A Human Rights Watch (HRW) e a Anistia Internacional condenaram repetidamente os ataques, classificando-os como ilegais. Em um relatório de março de 2026, a HRW afirmou que a campanha dos EUA equivale a "um padrão sustentado de uso ilegal da força" e "execuções extrajudiciais". A organização argumenta que, como os EUA não estão em conflito armado com cartéis de drogas sob o direito humanitário internacional, a força letal só se justifica quando estritamente necessária para proteger a vida. Especialistas jurídicos também levantaram preocupações sobre ataques "duplo-toque", onde sobreviventes de um ataque inicial são alvejados em um ataque subsequente. A polêmica sobre os ataques a barcos de drogas dos EUA se intensificou à medida que o número de mortos continua subindo.
Posição do Governo Trump
O presidente Trump defendeu a campanha, afirmando que os EUA estão em uma "guerra" contra os cartéis de drogas. Em uma postagem recente no Truth Social, Trump alegou que as forças dos EUA mataram o líder de uma importante gangue de drogas venezuelana, Niño Guerrero, em uma operação coordenada com as autoridades venezuelanas. Trump enquadrou os ataques marítimos como parte de um esforço mais amplo para desmantelar as redes de cartéis que canalizam fentanil e outras drogas para os EUA.
Impacto e Implicações
O crescente número de mortos e a falta de transparência prejudicaram as relações com os países latino-americanos. O México, em particular, expressou preocupação com as operações militares dos EUA na região. Críticos argumentam que os ataques são ineficazes, observando que a maior parte do fentanil entra nos EUA por fronteiras terrestres, não por mar. As relações EUA-México sob Trump foram ainda mais complicadas por essas ações militares unilaterais.
Perguntas Frequentes
Qual é a justificativa dos militares dos EUA para esses ataques?
Os EUA alegam que os ataques visam embarcações de tráfico de drogas em rotas conhecidas, citando inteligência de que os barcos são operados por organizações terroristas designadas. No entanto, nenhuma evidência física de drogas foi fornecida publicamente.
Esses ataques são legais sob o direito internacional?
Organizações de direitos humanos argumentam que são ilegais. Como não há conflito armado entre os EUA e os cartéis de drogas, a força letal só é permitida quando estritamente necessária para proteger a vida. Críticos dizem que os ataques equivalem a execuções extrajudiciais.
Quantas pessoas morreram nesta campanha?
Até 22 de junho de 2026, mais de 210 pessoas foram mortas em mais de 60 ataques desde setembro de 2025.
Por que os grupos de direitos humanos estão preocupados?
Grupos como Human Rights Watch e Anistia Internacional afirmam que os EUA não demonstraram que os indivíduos alvejados representavam uma ameaça iminente e que alternativas não letais, como a interdição, não foram tentadas. Eles também criticam a falta de transparência sobre a identidade das vítimas.
O que é a coalizão Shield of the Americas?
Formada em março de 2026, a Shield of the Americas (oficialmente a Coalizão América contra Cartéis) é uma aliança militar multinacional liderada pelos EUA para combater cartéis de drogas em todo o hemisfério ocidental.
Fontes
- Associated Press – Relatório da AP News sobre o ataque de 21 de junho
- CBS News – Cobertura da CBS News sobre a campanha
- Human Rights Watch – Relatório da HRW sobre ataques ilegais
- U.S. Southern Command – Site oficial do USSOUTHCOM
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