Em decisão histórica (6-3), a Suprema Corte dos EUA derrubou a autoridade presidencial de impor tarifas amplas sob a IEEPA, invalidando as tarifas do 'Dia da Libertação' e gerando pedidos de reembolso de até US$200 bilhões. A decisão de 20/02/2026 nos casos Learning Resources v. Trump e Trump v. V.O.S. Selections é a intervenção judicial mais significativa na política comercial em décadas.
Contexto: Ascensão e queda das tarifas da IEEPA
Em 2 de abril de 2025, o presidente Trump invocou a IEEPA, declarando emergência nacional sobre o déficit comercial e impôs tarifa base de 10% sobre quase todas as importações, com taxas de 11% a 50% para parceiros comerciais. Essas tarifas somaram-se às existentes sobre o fentanil da China (fevereiro de 2025) e Canadá/México (março de 2025). Até janeiro de 2026, geraram US$164,7 bilhões, 52% da receita alfandegária, segundo a análise do Modelo Orçamentário Penn Wharton.
Raciocínio da Suprema Corte
O presidente Roberts, pela maioria (com Sotomayor, Kagan, Gorsuch, Barrett e Jackson), afirmou que a IEEPA não autoriza tarifas, pois a Constituição reserva ao Congresso o poder tarifário. O tribunal focou que impor tarifas não está entre as ações da IEEPA. O voto dissidente de Kavanaugh (com Thomas e Alito) considerou as tarifas legais e alertou para 'bagunça' nos reembolsos. Trump chamou a decisão de 'profundamente decepcionante'.
A avalanche de reembolsos: mais de US$200 bilhões em jogo
A decisão abriu caminho para pedidos de reembolso. O Tribunal de Comércio Internacional dos EUA ordenou a devolução. A CBP lançou o sistema CAPE em abril de 2026, recebendo mais de 252 mil declarações sobre 25 milhões de entradas. US$129 bilhões em reembolsos foram aceitos e US$100 bilhões já desembolsados, com projeção de US$175 bilhões. Uma ação da Freestyle World continua.
A nova arquitetura comercial: de ordens emergenciais para vias estatutárias
A administração recorreu à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, impondo sobretaxa de 10-15% sobre fluxos deficitários (expira em 24/07/2026). Tarifas da Seção 232 (aço, alumínio, cobre, autos) permanecem em 25-50%, e da Seção 301 sobre a China (US$370 bilhões) em 7,5-100%. O cenário tarifário fragmentado tem taxa média de 14,8%.
Reestruturação da cadeia de suprimentos e implicações globais
As tarifas desencadearam a maior reestruturação desde 2018-2019. Empresas com relações na China enfrentaram tarifas acima de 60%, levando ao nearshoring para México, Vietnã e Índia. Hubs do Sudeste Asiático capturaram comércio, com investimento de US$100 bi até 2028. O comércio EUA-China caiu 30%, e europeus buscam parceiros mediterrâneos. A decisão impulsiona a agenda de reforma da OMC.
Perspectivas de especialistas
A professora Margaret Chen (Georgetown) disse que 'a decisão reafirma que o poder tarifário pertence ao Congresso'. O economista David Rosenberg (Peterson) observou que 'o impacto assimétrico na China obriga a navegar uma colcha de autoridades estatutárias'.
FAQ
O que a Suprema Corte decidiu sobre as tarifas da IEEPA?
Decidiu (6-3) que a IEEPA não autoriza tarifas presidenciais, invalidando as do 'Dia da Libertação' que geraram US$164,7 bilhões.
Como os importadores podem solicitar reembolsos?
Arquivando pedidos no sistema CAPE da CBP pelo Portal ACE, em até 180 dias após a 'liquidação'. Mais de 252 mil declarações foram processadas.
Quais autoridades tarifárias alternativas a administração está usando?
Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 (sobretaxas temporárias), Seção 232 (segurança nacional) e Seção 301 (China).
Como a decisão afeta as cadeias de suprimentos globais?
Acelera o nearshoring para México, Vietnã, Índia. Tarifas sobre produtos chineses haviam inviabilizado cadeias.
Quais as implicações para a reforma da OMC?
A invalidação de tarifas unilaterais pode revitalizar negociações multilaterais, reforçando ações baseadas em estruturas legais.
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