Rússia enfrenta crise orçamentária com queda de 40% nas receitas de energia

A Rússia enfrenta um enorme déficit orçamentário devido a uma queda de 40% nas receitas de petróleo em 2026, apesar da venda de emergência de ativos do Fundo Nacional de Riqueza, que está quase esgotado.

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Crise orçamentária da Rússia se aprofunda com queda de 40% nas receitas de energia

A Rússia enfrenta uma grave crise orçamentária, pois as receitas de petróleo e gás nos primeiros dois meses de 2026 caíram quase 40% em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com relatórios do The Moscow Times. A queda dramática nas receitas energéticas ameaça criar um déficit orçamentário que pode atingir dezenas de bilhões de dólares, intensificando a pressão financeira sobre um governo que já luta com sanções e gastos militares.

Déficit recorde de receitas

O economista Yegor Susin estima que o tesouro russo receberá apenas US$ 11,6 a US$ 12,9 bilhões do comércio de petróleo e gás em janeiro e fevereiro de 2026, uma queda acentuada em relação aos US$ 20,1 bilhões obtidos no mesmo período de 2025. Isso ocorre enquanto a Rússia planeja gastar cerca de US$ 103 bilhões apenas nesses meses, criando um déficit potencial de US$ 35 a US$ 39 bilhões quando combinado com outras fontes de receita. 'A situação é mais aguda do que no ano passado,' observou Susin, destacando a gravidade do atual desafio fiscal.

A crise segue um ano financeiro desastroso em 2025, quando a Rússia terminou com um déficit recorde de US$ 73 bilhões - o maior desde 2006 em termos absolutos. O vice-ministro das Finanças, Vladimir Kolychev, confirmou o déficit de receitas, declarando que as receitas de petróleo e gás estão abaixo do esperado, enquanto os gastos são significativamente maiores devido a pagamentos antecipados de contratos governamentais.

Kremlin confirma tensão financeira

O Kremlin não negou os problemas de receita, com Kolychev reconhecendo o duplo desafio de receitas energéticas mais baixas e gastos mais altos. O orçamento total da Rússia para 2026 é de cerca de US$ 567,6 bilhões, dos quais quase um quinto deve ser gasto nos primeiros dois meses. O Ministério das Finanças visa manter o déficit abaixo do nível do ano passado, atualmente orçado em US$ 49 bilhões.

No entanto, analistas do Gazprombank consideram esse objetivo ambicioso e preveem, em vez disso, um déficit variando de US$ 64,5 a US$ 71 bilhões. Embora isso represente apenas cerca de 2,5% do PIB russo - relativamente modesto em comparação com algumas economias ocidentais - isso ocorre em meio a uma estagnação econômica mais ampla e reservas em declínio.

Medidas de emergência e impacto econômico

A Rússia foi forçada a tomar medidas de emergência para lidar com a crescente lacuna financeira. O país está vendendo ativos de seu Fundo Nacional de Riqueza em ritmo recorde, com vendas diárias de yuan chinês e ouro atingindo US$ 165 milhões no início de 2026 - mais que o dobro do ritmo de dezembro e o nível mais alto já registrado, superando até mesmo as medidas durante a crise da COVID-19.

Os ativos líquidos do Fundo Nacional de Riqueza encolheram dramaticamente de US$ 113,5 bilhões antes da invasão da Ucrânia para apenas US$ 52,3 bilhões, com as reservas de ouro reduzidas de 405,7 para 173 toneladas métricas. 'Estamos vendo o teste financeiro mais sério que a Rússia enfrentou desde que as sanções foram intensificadas,' observou um analista de energia.

Desafios estruturais e perspectivas futuras

A queda nas receitas decorre de vários fatores: o petróleo russo Urals é negociado a cerca de US$ 39 por barril, muito abaixo da suposição orçamentária de US$ 59 e representando um desconto de 23% em relação ao petróleo Brent. Um rublo mais forte reduz a conversão doméstica das receitas em dólares, enquanto as sanções continuam a enfraquecer o poder de precificação da Rússia nos mercados globais de energia.

De acordo com a página da Wikipedia sobre a economia russa, o petróleo e o gás representaram até 30% das receitas orçamentárias federais em 2024, uma queda em relação a 50% em meados da década de 2010, sugerindo alguma diversificação econômica, mas deixando o país vulnerável a flutuações nos preços da energia.

A situação forçou escolhas difíceis entre manter reservas financeiras e sustentar compromissos de gastos, particularmente gastos militares. Com uma economia efetivamente estagnada - o FMI prevê apenas 1,1% de crescimento do PIB para 2026 - e aumentos planejados de impostos, a Rússia enfrenta desafios financeiros crescentes que podem ter consequências significativas tanto para a estabilidade doméstica quanto para os mercados globais de energia.

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