Voo de deportação pousa horas antes do terremoto devastador
Em 24 de junho de 2026, um grupo de 146 venezuelanos deportados dos Estados Unidos chegou ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar em Caracas. Em questão de horas, dois poderosos terremotos—de magnitudes 7,2 e 7,5—atingiram a costa norte da Venezuela, derrubando o hotel onde os deportados estavam detidos e deixando-os soterrados sob os escombros. Apenas 12 das 147 pessoas no voo sobreviveram, segundo o jornal espanhol El País, que entrevistou dezenas de familiares.
Os deportados, incluindo 120 homens, 19 mulheres e sete crianças, foram transferidos para o Hotel Santuario La Llanada, na região costeira de La Guaira. O hotel, antes usado como abrigo para moradores de rua e instalação de isolamento, foi completamente destruído quando os terremotos ocorreram às 18h04, horário local. O desastre agravou a tragédia da deportação com uma catástrofe natural, deixando famílias de ambos os lados da fronteira em angústia.
O voo do infortúnio
Imagens de vídeo divulgadas pelas autoridades venezuelanas mostravam os deportados chegando ao aeroporto, com funcionários distribuindo presentes para as crianças. Mas as imagens polidas rapidamente deram lugar a apelos desesperados. 'Vocês poderiam fornecer informações sobre as pessoas que chegaram naquele voo e ainda não voltaram para casa depois do terremoto?' escreveu Moises Valdivia, parente de um deportado. 'A ansiedade está se tornando insuportável.'
Os deportados haviam sido detidos na Flórida e em outros estados dos EUA durante a repressão imigratória do governo Trump. Joan, um deportado de 28 anos, foi preso a caminho do trabalho na Flórida. Ele sobreviveu ao desabamento do hotel ao se proteger debaixo de uma cama. 'Ele diz que sobreviveu porque uma cama caiu sobre ele. Os colchões ajudaram a suportar o peso dos escombros', disse sua esposa Daniela ao El País. Após três horas, ele conseguiu escapar sozinho, ao contrário de muitos outros.
Desabamento do hotel prendeu deportados
O desabamento do Hotel Santuario La Llanada matou cerca de 135 deportados. Arturo Alejandro Morales, que completaria 25 anos no dia seguinte ao terremoto, não sobreviveu. Seu pai, Arturo José, não sabia que o filho havia sido deportado e achava que ele ainda estava sob custódia dos EUA. Um colega deportado teve que dar a notícia.
Anderson Daniel Salcedo Lozano, 21, sobreviveu, mas perdeu as duas pernas. Seus pais culpam o governo venezuelano. Sobreviventes relataram que as portas do hotel permaneceram trancadas durante o terremoto. 'Eles os mantiveram trancados como se fossem ladrões ou criminosos', disse sua mãe, Yulis Salcedo.
Famílias imploram por resgate
Apesar das garantias da presidente interina Delcy Rodríguez de uma operação de resgate em grande escala, as famílias dizem que nada está sendo feito no local do hotel. 'O hotel onde todos daquele voo estavam desabou. Ninguém está removendo os escombros. Ajuda, por favor!' escreveu Daniely Hurtado dois dias após o desastre. Veronica Nieves, cujo cunhado ficou preso, acrescentou: 'Ainda há pessoas vivas lá. Quase não houve socorristas, quase ninguém que possa ajudar.'
Parentes relatam que autoridades impedem que familiares se aproximem dos escombros. O governo venezuelano não divulgou nenhuma lista oficial de vítimas do hotel. Famílias recorreram às redes sociais e hospitais, distribuindo cartazes de desaparecidos com fotos felizes de seus entes queridos, identificados como 'Desaparecido'.
Resposta internacional e ajuda
Os terremotos de 2026 na Venezuela causaram pelo menos 1.719 mortes, mais de 5.000 feridos e mais de 46.600 desaparecidos, segundo dados do USGS. Os EUA suspenderam muitas sanções contra a Venezuela e mobilizaram US$ 150 milhões em ajuda. No entanto, para as famílias dos venezuelanos deportados, a ajuda não chegou rápido o suficiente. A tragédia destaca a intersecção da política de imigração dos EUA com o desastre natural, com riscos de deportação em zonas de desastre agora sob renovado escrutínio.
FAQ
Quantos venezuelanos foram deportados no dia do terremoto?
Um total de 147 venezuelanos (146 deportados mais um acompanhante oficial) chegaram em um voo de Miami em 24 de junho de 2026. Apenas 12 sobreviveram ao desabamento do hotel.
Onde os deportados foram alojados?
Foram levados ao Hotel Santuario La Llanada em La Guaira, região costeira perto de Caracas que foi epicentral dos terremotos.
Por que os deportados não conseguiram escapar?
Sobreviventes e familiares relatam que as portas do hotel estavam trancadas pelo lado de fora, prendendo os deportados enquanto o prédio desabava.
O que o governo venezuelano disse sobre as vítimas?
O governo não divulgou número oficial de mortos ou lista de vítimas do hotel. A presidente interina Rodríguez prometeu resgate, mas famílias dizem que pouco foi feito.
Como os EUA responderam?
Os EUA suspenderam muitas sanções contra a Venezuela e prometeram US$ 150 milhões em ajuda humanitária, embora a tragédia dos deportados tenha gerado críticas às políticas de imigração.
Fontes
Este artigo é baseado em reportagens do El País, Il Sole 24 Ore, The New York Times e do USGS.
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