Visão Geral: Uma Epidemia Perturbadora de Abuso Digital
Uma investigação da VRT revelou que homens belgas partilham fotos nuas das parceiras em pelo menos 20 plataformas, muitas vezes sem consentimento. As imagens são publicadas em grupos de redes sociais, sites e chats do Telegram, descritas como conteúdo 'inconsciente' — as vítimas não sabiam que estavam a ser fotografadas. A investigação identificou pelo menos 32 contas belgas a partilhar este tipo de conteúdo. A tendência de abuso de imagem íntima não consensual ecoa escândalos globais, com investigadores a chamá-la de 'apenas a ponta do icebergue'.
Como Funcionam as Plataformas
As plataformas vão de Facebook a Telegram. Os homens partilham fotos tiradas secretamente enquanto as parceiras tomam banho, se vestem ou dormem, frequentemente com comentários sexistas usando termos como 'puta'. Alguns grupos mantêm sistemas de pontuação e emitem 'certificados' para quem prova ser o parceiro. Em alguns casos, moradas completas são publicadas para outros 'virem ver' a vítima.
Testemunhos de Vítimas
Valerie disse à VRT: 'Nunca notei que ele estava a fazer essas imagens, porque era a pessoa em quem mais confiava.' A polícia encontrou 1.200 fotos nuas tiradas secretamente no computador do marido. Ela queixou-se há quatro anos, mas ainda aguarda julgamento enquanto as imagens continuam a circular.
Quadro Legal e Desafios
Na Bélgica, partilhar imagens íntimas sem consentimento é crime, mas poucas queixas levam a condenações. As autoridades carecem de recursos. As vítimas sentem frequentemente que não são levadas a sério. A diretiva da UE sobre combate à violência contra as mulheres (2024) inclui esta prática como violência. O Digital Services Act exige que as plataformas mitiguem riscos de violência de género, mas a aplicação é inconsistente.
Contexto Global
Na Itália, um grupo no Facebook chamado 'Mia Moglie' com 32.000 membros foi encerrado em 2025 após queixas. As autoridades italianas receberam 2.800 denúncias. A Itália tem leis rigorosas desde 2019, com penas de 1 a 6 anos de prisão. No Reino Unido, registaram-se 28.201 denúncias de divulgação de imagens sexuais privadas entre 2015 e 2021. A luta global contra o abuso baseado em imagens cresce, mas os grupos mudam-se para outras plataformas, especialmente o Telegram.
Impacto nas Vítimas
O impacto psicológico é grave: vergonha, ansiedade, traição e trauma duradouro. A permanência das imagens online causa trauma contínuo. Especialistas descrevem como uma forma de violência digital de género que reforça a misoginia e o controlo. Grupos de defesa pedem melhor moderação das plataformas, resposta policial rápida e educação sexual abrangente, além do uso de IA para detetar proativamente imagens não consensuais.
FAQ
O que é a partilha não consensual de imagens íntimas?
É a distribuição de imagens ou vídeos sexuais privados sem o consentimento da pessoa retratada, incluindo fotos secretas ou partilhadas sem permissão.
É ilegal na Bélgica?
Sim, é crime, mas a aplicação é inconsistente e muitos casos não são processados.
Como as vítimas podem obter ajuda?
Podem denunciar à polícia, contactar o Instituto Belga para a Igualdade de Mulheres e Homens, ou ligar para linhas de apoio como 1712 (Flandres) ou 0800/30 030 (Valónia).
O que as plataformas estão a fazer?
Meta usa IA para detetar imagens não consensuais; Telegram depende de denúncias. O DSA exige que grandes plataformas avaliem e mitiguem riscos de violência de género.
Quão comum é este problema?
Muito comum. A VRT encontrou pelo menos 20 plataformas e 32 contas belgas. Na Itália, um único grupo tinha 32.000 membros. Os números reais são provavelmente muito maiores.
Fontes
VRT NWS: Homens partilham secretamente fotos nuas das parceiras
NOS: Em 20 plataformas, homens belgas partilham fotos nuas das esposas
The Brussels Times: Fotos de mulheres belgas partilhadas por namorados e maridos
Global Standard News: Grupo italiano no Facebook encerrado
EU Directive 2024: Abuso de imagem íntima não consensual na Europa
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