Esquema de Indenização da Harrods paga dezenas de sobreviventes
Mais de 75 sobreviventes de abuso sexual pelo falecido proprietário da Harrods, Mohamed al-Fayed, receberam indenização total através do Harrods Redress Scheme, enquanto quase 200 pedidos adicionais estão sendo processados. O esquema, lançado em março de 2025 após uma investigação inovadora da BBC, alcançou um total de 259 sobreviventes. As vítimas podem receber até £400.000 (cerca de €460.000) em compensação.
Mohamed al-Fayed, o bilionário egípcio que possuiu a Harrods de 1985 a 2010, morreu em 2023 aos 94 anos. Desde sua morte, mais de 400 acusações de má conduta sexual surgiram, variando de 1977 a 2014, incluindo estupro, agressão, exploração e tráfico humano. O escândalo de abuso da Harrods atraiu atenção internacional e alimentou debates sobre responsabilidade corporativa.
Contexto: Décadas de Acusações
Al-Fayed foi acusado publicamente pela primeira vez em uma investigação da Vanity Fair em 1995, mas ele frequentemente usava processos judiciais para suprimir reportagens. Apesar de 21 queixas à polícia durante sua vida, incluindo investigações em 2008, 2013 e 2018-2023, nenhuma acusação foi apresentada. O documentário da BBC Al Fayed: Predator at Harrods, lançado em setembro de 2024, incluiu testemunhos de mais de 20 mulheres. Isso levou a um pedido de desculpas e aceitação de responsabilidade indireta pelos atuais proprietários qatari da Harrods.
Como funciona o Esquema de Indenização da Harrods
O esquema de compensação, que encerrou em 31 de março de 2026, era uma alternativa a processos judiciais. Principais características: aberto a todos com conexão suficiente com a Harrods; indenização geral de até £200.000; avaliação psiquiátrica de até £385.000 mais custos de tratamento; a Harrods reservou £60 milhões; sem acordos de confidencialidade exigidos. A Harrods declarou: 'Este foi o ato de um indivíduo que queria abusar de seu poder. Nossas desculpas a cada sobrevivente.' O esquema recebeu críticas do escritório de advocacia KP Law, que representa quase 280 sobreviventes, devido ao seu fechamento enquanto a investigação interna da Harrods ainda está em andamento. O debate sobre responsabilidade corporativa continua a se intensificar.
Investigação policial sobre tratamento de queixas
No mesmo dia, a BBC noticiou que a IOPC está investigando um agente em serviço e quatro ex-agentes da Polícia Metropolitana devido ao tratamento de queixas contra al-Fayed. A investigação, iniciada em janeiro de 2025, diz respeito a denúncias de quatro sobreviventes de 2008 e 2013. Além disso, um homem na casa dos sessenta foi interrogado em março de 2025 sobre tráfico humano e facilitação de estupro, e três mulheres sobre cumplicidade. As autoridades francesas estão investigando uma suposta rede de tráfico humano em torno de al-Fayed.
Impacto e Implicações
O caso al-Fayed é um ponto de virada para a responsabilidade corporativa no Reino Unido. Sobreviventes afirmam que a estrutura corporativa da Harrods permitiu o abuso. Uma sobrevivente disse que o serviço de saúde ocupacional da empresa a testou secretamente para DSTs para permitir que al-Fayed abusasse dela com segurança. A cumplicidade corporativa em casos de abuso continua sendo um ponto crítico. Dados policiais mostram 111 denúncias formais, sendo a mais jovem supostamente com 13 anos. Justice for Harrods Survivors pede uma investigação pública.
Perguntas Frequentes
Quem foi Mohamed al-Fayed?
Mohamed al-Fayed (1929-2023) foi um bilionário egípcio que possuiu a Harrods, o Hôtel Ritz Paris e o Fulham FC. Ele era o pai de Dodi Fayed, que morreu em 1997 junto com a Princesa Diana.
Quantas vítimas surgiram?
Mais de 400 acusações, das quais 111 foram formais na polícia. Pelo menos 259 sobreviventes participaram do Harrods Redress Scheme.
Que compensação as vítimas podem receber?
Até £385.000 em indenização geral mais custos de tratamento, de um fundo de £60 milhões.
Por que não foram apresentadas acusações durante a vida de al-Fayed?
Apesar de 21 queixas à polícia e múltiplas investigações entre 2008 e 2023, nunca houve acusações. A IOPC agora investiga possível má conduta policial.
A Harrods ainda é responsável?
Os atuais proprietários aceitaram responsabilidade indireta, pediram desculpas e estabeleceram o esquema de compensação. Críticos dizem que a cultura corporativa permitiu o abuso.
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