Tribunal ordena internação psiquiátrica indefinida para agressora de Hamburgo
Um tribunal alemão determinou que uma mulher de 40 anos que esfaqueou 15 pessoas na estação central de Hamburgo no ano passado deve ser internada indefinidamente em uma clínica psiquiátrica. O tribunal regional de Hamburgo decidiu que a mulher, conhecida apenas como Lydia S. devido às leis de privacidade alemãs, não pode ser considerada criminalmente responsável pelo ataque de 23 de maio de 2025 devido ao seu grave transtorno mental.
Detalhes do ataque e sentença judicial
O ataque ocorreu durante o movimentado fim de semana de Pentecostes na plataforma 13/14 da Hamburg Hauptbahnhof, a segunda estação ferroviária mais movimentada da Europa. De acordo com documentos judiciais, a mulher usou uma faca de legumes roubada para esfaquear passageiros aleatoriamente durante o horário de pico da sexta-feira à noite. O ataque durou apenas 24 segundos, mas deixou 15 pessoas com ferimentos graves, incluindo quatro em estado crítico. Uma mulher precisou passar por cirurgias de emergência e foi colocada em coma induzido.
O juiz que lidou com o caso declarou: 'Temos poucas opções para internar e ajudar pessoas com doenças mentais até que cometam um ato tão grave.' O tribunal constatou que a mulher sofre de esquizofrenia paranoide, uma condição que causa alucinações auditivas e uma visão distorcida da realidade. Evidências médicas mostraram que ela acreditava que os passageiros queriam matá-la no momento do ataque.
Histórico de problemas psiquiátricos
A mulher havia sido liberada de uma clínica psiquiátrica apenas um dia antes do ataque e estava desabrigada desde outubro de 2024. Documentos judiciais revelam que, nos anos anteriores ao esfaqueamento, ela havia sido internada em instituições psiquiátricas 32 vezes. Ela também tinha incidentes violentos anteriores, incluindo um ataque ao seu pai com uma tesoura e uma prisão em fevereiro de 2024 por portar um machado em um trem.
Duas testemunhas, Abu Bakr Siddik Agaev, de 21 anos, e Muhammad al-Muhammad, de 19 anos, imobilizaram a agressora fazendo-a tropeçar e segurando-a até a polícia chegar. Sua rápida intervenção provavelmente evitou vítimas adicionais.
Implicações mais amplas para o sistema psiquiátrico alemão
O caso reacendeu o debate sobre o sistema de cuidados psiquiátricos da Alemanha e sua capacidade de prevenir tais tragédias. O ataque na estação de Hamburgo foi um dos vários incidentes violentos envolvendo pessoas com doenças mentais na Alemanha nos últimos anos.
A Alemanha tem uma legislação psiquiátrica abrangente, mas críticos argumentam que o sistema frequentemente falha em fornecer cuidados adequados antes que os indivíduos atinjam um ponto de crise. A legislação psiquiátrica alemã permite tratamento involuntário sob certas circunstâncias, mas a implementação varia de região para região.
Após o ataque, as autoridades de Hamburgo implementaram medidas de segurança mais rigorosas na estação, incluindo mais patrulhas policiais e fiscalização contínua da proibição de armas. A estação já havia instalado mais de 200 câmeras e implementado 'patrulhas Quattro' - equipes de quatro policiais de diferentes serviços de segurança - em resposta a problemas anteriores de violência.
A mulher aceitou a sentença do tribunal sem recorrer e permanecerá em uma instituição psiquiátrica forense por enquanto. Todas as vítimas já se recuperaram de seus ferimentos e não estão mais em perigo de vida.
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