Ex-agente de Uvalde absolvido em caso de tiroteio

Ex-agente de Uvalde Adrian Gonzales foi absolvido de 29 acusações de negligência infantil por sua resposta ao tiroteio de 2022 que matou 21 pessoas. O veredicto destaca os desafios na responsabilização policial.

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Júri absolve agente em resposta controversa a tiroteio

Em um veredicto inovador que reacendeu o debate sobre a responsabilidade policial durante tiroteios em escolas, o ex-agente de polícia Adrian Gonzales, do distrito escolar de Uvalde, foi absolvido de todas as 29 acusações de negligência infantil relacionadas à sua resposta ao massacre na Robb Elementary School. O júri chegou a uma decisão unânime em 21 de janeiro de 2026, após mais de sete horas de deliberação, encerrando um capítulo controverso nas consequências de um dos tiroteios mais letais em escolas americanas.

O caso que dividiu uma comunidade

Gonzales, de 52 anos, foi um dos primeiros agentes a chegar à Robb Elementary School em 24 de maio de 2022, onde o atirador de 18 anos, Salvador Ramos, matou 19 alunos e dois professores antes de ser morto pela polícia após 77 minutos. Os promotores argumentaram que Gonzales não seguiu seu treinamento para atiradores ativos e colocou crianças em risco ao não confrontar o atirador imediatamente. 'Ele tinha o dever de proteger essas crianças, e ele as abandonou,' disse a promotora-chefe Maria Rodriguez durante os argumentos finais.

A defesa argumentou que Gonzales estava sendo injustamente usado como bode expiatório para falhas sistêmicas mais amplas. 'Meu cliente chegou a uma cena de caos e confusão inimagináveis,' disse o defensor James Carter a repórteres. 'Ele nunca viu o atirador entrar no prédio e mais tarde ajudou a evacuar crianças de outras salas de aula. Culpá-lo pelos erros de 370 policiais é injusto.'

Um padrão nacional de controvérsias sobre resposta policial

A resposta ao tiroteio em Uvalde tornou-se um estudo de caso sobre falhas policiais, com múltiplas investigações revelando o que o Comitê de Investigação da Câmara do Texas chamou de 'falhas sistêmicas e tomadas de decisão flagrantemente ruins'. O atraso de 77 minutos antes que os agentes entrassem na sala de aula onde Ramos atirava é comparado a outras respostas policiais controversas, incluindo o tiroteio em Parkland em 2018, onde um agente escolar armado também foi criticado por não confrontar o atirador.

De acordo com o relatório do Texas Tribune, Gonzales foi um dos apenas dois agentes indiciados entre a enorme mobilização policial que envolveu quase 400 agentes de múltiplas agências. O ex-chefe de polícia de Uvalde, Pete Arredondo, ainda enfrenta 10 acusações de negligência infantil, e seu julgamento ainda não foi agendado.

Famílias reagem com decepção e raiva

Para as famílias das 21 vítimas, o veredicto representa outro capítulo doloroso em sua luta contínua por responsabilização. 'Fomos abandonados novamente pelo sistema de justiça,' disse Javier Cazares, pai de Jackie Cazares, de 9 anos, morta no tiroteio. 'Como alguém que deveria proteger nossos filhos pode sair livre quando 21 pessoas estão mortas?'

O julgamento foi transferido do Condado de Uvalde para o Condado de Nueces devido a preocupações com viés na comunidade, refletindo a profunda divisão dentro da pequena comunidade texana que ainda lida com as consequências da tragédia. Muitos residentes pediram medidas de responsabilização mais abrangentes além de processos individuais.

Implicações mais amplas para treinamento e políticas policiais

Especialistas jurídicos observam que a absolvição destaca a dificuldade de processar policiais por negligência durante incidentes em massa. 'Este caso mostra como é desafiador provar negligência criminal quando os agentes operam em ambientes de alto estresse e caóticos,' disse a professora de direito penal Amanda Chen, da Universidade do Texas. 'O padrão para responsabilidade criminal é muito mais alto do que para consequências civis ou administrativas.'

O veredicto ocorre enquanto departamentos de polícia em todo o país continuam a revisar protocolos para atiradores ativos. O tiroteio em Uvalde levou o Departamento de Justiça a emitir novas diretrizes enfatizando que os agentes devem confrontar atiradores ativos imediatamente, em vez de esperar por equipes especializadas.

Após o veredicto, Gonzales expressou seu alívio e gratidão ao júri. 'Estou apenas tentando juntar os pedaços e seguir em frente,' disse ele a repórteres fora do tribunal. A resolução do caso deixa perguntas sem resposta sobre como garantir melhores respostas policiais em futuros tiroteios em escolas, enquanto o equilíbrio entre a proteção legal para agentes que tomam decisões em frações de segundo em situações de crise é mantido.

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