Relatório chocante revela décadas de terror em basílica parisiense

Relatório chocante revela que beneditinas no Sacré-Cœur de Paris sofreram abuso sistemático por 40 anos sob a madre superiora Marie-Agnès, incluindo terror psicológico e exploração financeira.

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Relatório devastador revela décadas de terror em basílica de Paris

Uma investigação devastadora trouxe à luz abusos sistemáticos que duraram quatro décadas no mosteiro beneditino do Sacré-Cœur de Montmartre em Paris, onde freiras viveram sob o que os investigadores chamam de um "regime de terror" sob sua madre superiora, Marie-Agnès. O relatório, encomendado pela congregação e realizado pelo ex-general do exército Hervé Giaume, revela um clima de controle, humilhação e violência física que persistiu de 1969 até a morte da madre superiora em 2016.

Um sistema de terror psicológico

A investigação, baseada em 159 entrevistas com freiras atuais e antigas, pinta um quadro angustiante da vida por trás dos muros de um dos locais religiosos mais icônicos de Paris. 'Se alguma de vocês discordar de mim, então pode pular pela janela,' disse a madre superiora Marie-Agnès de acordo com depoimentos. O relatório descreve uma "estrutura perverso-narcisista" onde a manipulação psicológica era rotina.

As freiras foram submetidas a vigilância constante, com correspondência aberta e quartos revistados regularmente. 'A correspondência era entregue já aberta. Depois disso, fiquei desconfiada,' testemunhou uma freira. A madre superiora encorajava as irmãs a se denunciarem umas às outras, criando uma atmosfera de desconfiança mútua e medo.

Abuso físico e negligência médica

Os abusos se estenderam a maus-tratos físicos, especialmente em torno de comida e controle de peso. As freiras foram forçadas a engordar para se parecerem com a madre superiora Marie-Agnès, com alimentação forçada que levava ao vômito. Elas eram pesadas regularmente, mas não podiam saber seu próprio peso. 'Era um sinal de vocação quando alguém ganhava peso,' lhes era dito.

Os cuidados médicos foram sistematicamente negados. 'Dor de dente passa com um terço,' relatou uma testemunha no relatório. Produtos básicos de higiene eram difíceis de obter e medicamentos eram usados punitivamente contra quem resistia. As freiras recebiam medicamentos sem saber o que estavam tomando.

Exploração financeira e isolamento

A investigação revelou uma exploração financeira significativa. Contas bancárias e cadernetas de poupança de novas recrutas eram esvaziadas e heranças eram confiscadas. De acordo com a France 24, mais de 857.000 euros foram roubados de contas de freiras e da congregação, com o dinheiro sendo usado para férias luxuosas na Riviera Francesa e refeições caras.

As freiras foram sistematicamente isoladas do mundo exterior. O contato com a família era desencorajado, com uma freira ouvindo: 'Se você tem dor nas costas, é porque vê sua família com muita frequência.' O relatório descreve como a madre superiora e duas colaboradoras criaram o que os investigadores chamam de um "estado policial" dentro do convento.

Contexto histórico e falha institucional

A Basílica do Sacré-Cœur, concluída em 1914 e consagrada em 1919, é o segundo local turístico mais visitado de Paris, depois da Torre Eiffel, atraindo milhões de visitantes anualmente para sua localização no topo da colina em Montmartre. A basílica mantém desde 1885 a adoração perpétua do Santíssimo Sacramento e é dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.

Apesar de duas visitas apostólicas em 2004 e 2011-2012, nem as autoridades romanas nem diocesanas impuseram sanções à congregação. A diocese de Paris reconheceu ter falhado em seu dever de vigilância por anos. Este caso segue outras alegações recentes de abuso contra figuras religiosas francesas, incluindo o ícone da caridade Abbé Pierre.

A congregação se comprometeu a implementar 58 recomendações do relatório, incluindo o reconhecimento oficial dos abusos, apoio à saúde para as vítimas e reformas estruturais. Um capítulo geral em outubro de 2026 coordenará essas mudanças com as autoridades eclesiásticas.

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