Trump anuncia tarifa de importação dos EUA de 25% para países que negociam com o Irã durante protestos mortais. China, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Rússia enfrentam pressão econômica.
Trump anuncia sanções comerciais abrangentes durante protestos no Irã
Em uma escalada dramática da pressão econômica sobre o Irã, o ex-presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos imporão uma tarifa de importação de 25% a todos os países que fazem negócios com a República Islâmica. O anúncio, feito através da plataforma Truth Social de Trump, ocorre em um momento em que o Irã enfrenta os maiores protestos anti-governo em anos, com organizações de direitos humanos relatando pelo menos 646 mortes e dezenas de milhares de prisões.
'Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todo o comércio realizado com os Estados Unidos. Esta decisão é definitiva e vinculativa,' escreveu Trump sem fornecer mais detalhes. A Casa Branca também se recusou a comentar as especificações de implementação.
Parceiros comerciais do Irã no alvo
A nova política tarifária visa diretamente os principais parceiros econômicos do Irã, incluindo China, Turquia, Rússia e Emirados Árabes Unidos. A China, como maior parceiro comercial do Irã com importações significativas de petróleo, enfrenta consequências particularmente severas. Segundo analistas comerciais, isso poderia aumentar a tarifa efetiva da China sobre bens importados para os EUA para pelo menos 45%, contra os atuais 20%.
Outros países provavelmente afetados são Índia, Iraque, Afeganistão e Paquistão. Os Emirados Árabes Unidos, segundo maior parceiro comercial do Irã com cerca de US$ 30 bilhões em comércio anual, também enfrentam uma perturbação econômica significativa.
'Isso força os países a escolher entre o acesso ao mercado americano e a continuação do comércio com Teerã,' observou um especialista em política comercial do Financial Times. 'É um movimento clássico do Trump - usar alavancagem econômica para alcançar objetivos geopolíticos.'
Contexto dos protestos contínuos
O anúncio da tarifa ocorre em meio a uma escalada de violência no Irã, onde protestos que começaram com queixas econômicas evoluíram para demandas mais amplas por liberdade política e direitos das mulheres. De acordo com a AP News, o número de mortos subiu para pelo menos 646 pessoas, com forças de segurança usando força letal contra manifestantes.
Autoridades iranianas impuseram um apagão de internet de 84 horas, restringindo severamente o fluxo de informações sobre os protestos. A unidade paramilitar Basij, um braço auxiliar da Guarda Revolucionária do Irã, desempenhou um papel fundamental na repressão aos distúrbios.
'A situação no Irã é grave, com autoridades desencadeando uma repressão mortal contra manifestantes em grande parte pacíficos,' relatou a Anistia Internacional. 'As forças de segurança usaram ilegalmente rifles, espingardas com pellets de metal, canhões de água, gás lacrimogêneo e espancamentos contra manifestantes.'
Base legal e reação internacional
Trump parece estar usando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor essas tarifas, embora essa autoridade esteja atualmente sendo contestada na Suprema Corte. Uma decisão esperada em breve pode afetar sua autoridade tarifária e potencialmente exigir o reembolso de US$ 130 bilhões em receitas tarifárias.
A China já respondeu, opondo-se ao que chama de 'sanções unilaterais ilegais' e prometendo proteger seus interesses. A União Europeia está considerando sanções adicionais devido à repressão às manifestações no Irã, criando uma complexa rede de pressão econômica internacional.
Os Estados Unidos mantêm várias sanções econômicas, comerciais, científicas e militares contra o Irã desde 1979, administradas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). Estas medidas mais recentes representam uma escalada significativa no longo confronto econômico entre Washington e Teerã.
Opções militares ainda sobre a mesa
Trump já ameaçou anteriormente intervenção militar no Irã se surgissem provas de que o regime usou força letal contra manifestantes. De acordo com a CNN, o ex-presidente recebeu vários cenários militares de sua equipe, mas ainda não tomou uma decisão definitiva.
'Continuo sem medo de implantar poder militar se necessário,' declarou Trump no início desta semana, enquanto a Casa Branca enfatizava a diplomacia como primeira opção.
O anúncio da tarifa representa a última tentativa de Trump de isolar economicamente o Irã enquanto apoia manifestantes anti-governo. Especialistas alertam, no entanto, que tais medidas também podem prejudicar iranianos comuns que já sofrem com dificuldades econômicas e podem complicar ainda mais os esforços internacionais para abordar a crise de direitos humanos no país.
Nederlands
English
Deutsch
Français
Español
Português