Bobi Wine nega prisão, diz ter escapado de invasão militar
O líder da oposição ugandense, Bobi Wine, negou relatos de seu suposto sequestro por tropas de segurança e afirmou que escapou de sua casa durante uma invasão militar. O líder da Plataforma de Unidade Nacional (NUP) explicou nas redes sociais o que aconteceu em sua residência em Magere.
'Foi uma noite muito difícil para nós em casa, em Magere. O exército e a polícia invadiram nossa casa. Eles cortaram a energia e bloquearam algumas de nossas câmeras de segurança. Helicópteros sobrevoaram nossa casa,' escreveu Wine em sua declaração.
Relatos anteriores de seu partido alegavam que Wine havia sido retirado à força de sua casa e levado por um helicóptero militar para um local desconhecido. Esses relatos foram posteriormente removidos das redes sociais, causando confusão sobre seu paradeiro.
Resultado eleitoral leva a confrontos violentos
O incidente ocorre após as polêmicas eleições presidenciais de 2026 em Uganda, nas quais o presidente em exercício, Yoweri Museveni, parece estar prestes a iniciar um novo mandato. Resultados preliminares mostram Museveni com cerca de 70% dos votos, contra 20% para Wine. Museveni, que governa Uganda desde 1986, havia previsto que venceria com 80% dos votos.
As eleições foram marcadas por violência, especialmente no distrito de Butambala, onde as forças de segurança mataram pelo menos 10 pessoas. Segundo o deputado local Muwanga Kivumbi, 'eles arrombaram a porta da frente e começaram a atirar na garagem. Foi um massacre.' O incidente ocorreu enquanto apoiadores aguardavam os resultados eleitorais na casa de Kivumbi.
A polícia alega ter agido em legítima defesa contra atacantes com facões que invadiram uma delegacia e um centro de contagem de votos. Um porta-voz da polícia disse que sete pessoas morreram no confronto, três ficaram feridas e 25 foram presas.
Bloqueio da internet dificulta comunicação
Wine atribuiu a confusão sobre sua localização a um bloqueio nacional da internet que estava em vigor durante as eleições. 'Isso acontece no contexto de um bloqueio nacional da internet. Dada a comoção que ocorreu em nossa casa durante a noite e o fato de ninguém poder entrar na casa, nossos vizinhos concluíram que eles nos sequestraram e espalharam a notícia,' explicou ele.
O exército ugandense negou as alegações de sequestro de Wine. O porta-voz do exército, brigadeiro-general Felix Kulayigye, disse à Associated Press que as histórias eram destinadas 'a incitar seus apoiadores à violência.'
Wine, um ex-astro pop que se tornou político, pediu a seus apoiadores que ignorassem o que ele chama de 'resultados falsos' e fossem pacificamente às ruas. Ele afirma que 'inúmeros cidadãos' foram mortos durante protestos contra o resultado das eleições.
Preocupação internacional aumenta
As eleições atraíram atenção internacional, com organizações de direitos humanos condenando o processo. De acordo com relatórios da NPR, as eleições ocorreram sob um bloqueio da internet imposto pelo governo e foram marcadas por relatos de violência letal e intimidação generalizada. The Guardian documentou como as forças de segurança teriam invadido casas de parlamentares da oposição e matado membros da equipe de campanha.
Wine continua a registrar resistência e diz que continuará a contestar a legitimidade dos resultados eleitorais. Seu paradeiro atual é desconhecido, enquanto ele afirma estar 'fazendo o possível para se manter seguro' enquanto sua esposa e familiares estão sob prisão domiciliar imposta pelo exército.
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