Iraque vota entre influência EUA-Irã e baixa participação

Iraque realiza eleições parlamentares em meio à disputa de influência EUA-Irã, com participação recorde baixa esperada devido à desilusão dos eleitores, desemprego e boicote sadrista.

iraque-eleicoes-parlamentares-eua-ira
Facebook X LinkedIn Bluesky WhatsApp

Eleições Parlamentares Cruciais no Iraque

Os iraquianos foram às urnas em 11 de novembro de 2025 para eleger um novo parlamento de 329 membros em eleições que destacam o delicado equilíbrio do país entre a influência americana e iraniana. Com mais de 7.700 candidatos competindo em 18 distritos eleitorais, a votação representa um teste crucial para a frágil democracia do Iraque, 22 anos após a invasão liderada pelos EUA que derrubou Saddam Hussein.

Participação Recorde Baixa Esperada

Relatos iniciais das seções eleitorais indicam que a participação pode atingir um ponto historicamente baixo, com analistas prevendo que não ultrapassará 41%. 'A desilusão política é palpável,' disse o analista político Ahmed al-Rubaie. 'Muitos iraquianos sentem que seus votos não levam a mudanças significativas.' Apenas 21,4 milhões dos 32 milhões de eleitores elegíveis atualizaram seu registro e receberam cartões de votação, indicando apatia eleitoral generalizada.

A baixa participação resulta de múltiplos fatores, incluindo altas taxas de desemprego superiores a 14% no total e 25% entre os jovens. Corrupção e serviços públicos deficientes, especialmente apagões de energia apesar da riqueza petrolífera do Iraque, corroeram ainda mais a confiança pública. 'Temos riqueza petrolífera, mas não temos eletricidade confiável - qual é o sentido de votar?' perguntou a residente de Bagdá Fatima Hassan.

Boicote Sadrista e Fragmentação Política

As eleições são marcadas pela ausência do influente Movimento Sadrista, liderado pelo clérigo Muqtada al-Sadr, que anunciou um boicote em julho de 2025 após negociações de governo fracassadas em 2021. O boicote significa que centenas de milhares de seus apoiadores não participarão, possivelmente afetando a legitimidade dos resultados.

A paisagem política do Iraque permanece profundamente fragmentada, com cargos governamentais distribuídos entre xiitas, sunitas, curdos, cristãos e outros grupos étnicos e religiosos através do sistema muhasasa. 'O sistema garante representação, mas cria impasses permanentes,' explicou a professora de ciência política da Universidade de Bagdá, Layla al-Mansouri.

Disputa de Influência EUA-Irã

As eleições ocorrem no contexto de uma disputa de poder contínua entre os Estados Unidos e o Irã por influência no Iraque. Desde a invasão de 2003, dezenas de milícias xiitas apoiadas pelo Irã foram formadas, várias das quais agora estão representadas na política e ajudaram a levar o atual primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani ao poder.

Os Estados Unidos pressionam o governo iraquiano a conter a influência das milícias ligadas ao Irã, que atacaram repetidamente bases militares americanas nos últimos anos. 'O Iraque está preso entre dois aliados poderosos com interesses concorrentes,' observou o analista do Oriente Médio John Smith do Atlantic Council.

Futuro Incerto para Al-Sudani

O primeiro-ministro al-Sudani, que lidera a Coalizão de Reconstrução e Desenvolvimento, busca um segundo mandato, mas enfrenta um caminho incerto. Apenas um primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, serviu mais de um mandato desde 2003. Embora espera-se que o bloco de al-Sudani ganhe a maioria dos assentos, especialmente com a ausência de al-Sadr, ele provavelmente não obterá maioria.

Isso provavelmente significará meses de negociações entre vários partidos sobre cargos governamentais e o cargo de primeiro-ministro. 'A verdadeira eleição ocorre após a votação, nos bastidores,' disse o comentarista político Omar al-Jabouri.

Preocupações de Segurança e Voto Antecipado

A segurança continua sendo uma grande preocupação, embora a violência política tenha diminuído em comparação com eleições anteriores. Policiais votaram em 9 de novembro para liberá-los para tarefas de segurança no dia da eleição. Embora um candidato tenha sido assassinado durante o período da campanha, o nível de violência é significativamente menor do que em eleições anteriores, quando candidatos foram liquidados e seções eleitorais atacadas.

A eleição usa um sistema de representação proporcional com assentos alocados de acordo com o método Webster/Sainte-Laguë modificado, reintroduzido após as eleições de 2021 que usaram voto único não transferível. Nove assentos são reservados para grupos minoritários, incluindo cristãos, yazidis, shabaks, mandeanos e curdos feyli.

Artigos relacionados

ministro-hungaro-racismo-ciganos
Politica

Ministro húngaro causa crise com comentários racistas sobre ciganos

O ministro húngaro János Lázár mergulhou o partido Fidesz numa crise com comentários racistas sobre a população...

iraque-eleicoes-parlamentares-eua-ira
Politica

Iraque vota entre influência EUA-Irã e baixa participação

Iraque realiza eleições parlamentares em meio à disputa de influência EUA-Irã, com participação recorde baixa...

camaroes-vota-presidente-biya-oitavo-mandato
Politica

Camarões vota para presidente, Biya de 92 anos busca oitavo mandato

Paul Biya, de 92 anos, busca seu oitavo mandato como presidente de Camarões em eleição contra 11 oponentes. Biya...

bloco-esquerda-store-vence-eleicoes-norueguesas
Política

Bloco de Esquerda de Støre Vence Eleições Norueguesas por Mínima Margem

Coalizão de esquerda do primeiro-ministro Støre vence eleições norueguesas por margem estreita com 89 assentos,...

ishiba-renuncia-crise-politica-japao
Politica

Primeiro-ministro japonês Ishiba renuncia devido a crise política

Primeiro-ministro japonês Yoshimasa Ishiba renuncia após perda da maioria no parlamento pelo PLD, com pressão...

eleicoes-suriname-petroleo
Politica

Resultado eleitoral no Suriname atrasado: 'Muito apertado para definir'

O resultado das eleições no Suriname está atrasado devido a problemas técnicos e uma disputa acirrada entre dois...