Primeiro-ministro francês renuncia após 26 dias, crise se aprofunda

O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu renuncia após apenas 26 dias, o mandato mais curto na história da Quinta República Francesa. A renúncia aprofunda a crise política na França durante desafios econômicos e protestos generalizados.

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Crise Política na França Atinge Novo Ponto Baixo

A França mergulhou mais profundamente no caos político após o primeiro-ministro Sébastien Lecornu renunciar após apenas 26 dias, registrando o mandato mais curto na história da Quinta República Francesa. O líder de 39 anos apresentou sua renúncia ao presidente Emmanuel Macron em 6 de outubro de 2025, apenas horas depois de apresentar seu novo gabinete ministerial.

Um Governo Que Nunca Decolou

A renúncia repentina chocou observadores políticos, especialmente porque Lecornu havia anunciado sua equipe ministerial na noite anterior. 'Isso chega como uma grande surpresa,' disse o correspondente na França Frank Renout. 'Sabíamos que Lecornu estava com dificuldades e que seria difícil para ele governar, mas renunciar tão rápido, um mês após assumir, é realmente muito rápido.'

A composição do novo governo mostrou-se imediatamente controversa, com doze dos dezoito ministros nomeados vindos diretamente do governo anterior, apesar da promessa de Lecornu de uma 'ruptura' com o passado. Essa contradição levou imediatamente a críticas do parlamento e ameaçou com uma moção de desconfiança.

Raízes da Crise

Lecornu foi nomeado em 9 de setembro para substituir François Bayrou, que após nove meses foi removido pelo parlamento por não conseguir obter apoio para cortes orçamentários propostos de bilhões de euros. Bayrou tentou enfrentar a dívida pública de mais de €3,3 trilhões por meio de aumentos de impostos, mas encontrou resistência parlamentar.

Em seu discurso de renúncia, Lecornu expressou sua frustração com o impasse político. 'Era preciso pouco para fazer funcionar,' declarou ele. 'Ser altruísta e mostrar humildade. Você deve sempre colocar seu país acima de seu partido.'

Pressão Econômica e Inquietação Social

A crise política ocorre em meio a sérios desafios econômicos. A França atualmente enfrenta um déficit orçamentário de 5% do PIB - o mais alto da União Europeia - e é atingida por protestos generalizados contra medidas de austeridade planejadas. De acordo com a France 24, protestos recentes atraíram pelo menos 195.000 participantes em todo o país, com sindicatos exigindo o fim das restrições de gastos e a reversão das reformas da previdência.

Os mercados financeiros reagiram imediatamente à instabilidade política, com o índice bolsista francês caindo até 3% e os custos de empréstimos do governo subindo para 3,57%, de acordo com a Politico Europe.

Demandas da Oposição e Opções Limitadas

Jordan Bardella, líder do partido de extrema-direita Rassemblement National, criticou Lecornu por ser muito complacente e sugeriu que Macron realmente formou o novo governo. Os partidos de oposição apresentaram soluções amplamente divergentes para a crise.

'A esquerda diz que o presidente Macron deveria renunciar e que novas eleições presidenciais deveriam ser convocadas,' explicou Renout. 'O partido de Le Pen, o RN de extrema-direita, diz que deveriam ocorrer novas eleições parlamentares. O partido acredita que este parlamento dividido deveria ser dissolvido para que talvez surja uma maioria estável.'

Contexto Histórico e Controvérsia Pessoal

A nomeação de Lecornu já era controversa devido a revelações de que ele colocou informações falsas em seu currículo, alegando ter um mestrado em direito pela Universidade de Paris que ele nunca completou. Essa falta de confiança tanto dos partidos de oposição de esquerda quanto de direita prejudicou sua capacidade de governar desde o início.

Macron já teve sete primeiros-ministros diferentes desde sua posse em 2017, com seu governo operando consistentemente sem maioria parlamentar. A situação atual representa o ápice da instabilidade política que começou com as eleições parlamentares de 2024, que produziram um parlamento dividido entre blocos de esquerda, centro-direita e extrema-direita.

O Que Vem a Seguir?

O presidente Macron enfrenta opções limitadas: nomear um novo primeiro-ministro e prolongar a crise, convocar eleições antecipadas ou renunciar. A Alemanha já expressou preocupação com a situação, enfatizando que uma 'França estável' é crucial para a estabilidade europeia, conforme relatado pela France 24.

A rápida sucessão de governos fracassados - de Michel Barnier para François Bayrou para Sébastien Lecornu - destaca a crise de governança fundamental que a França enfrenta. Sem um caminho claro a seguir e com crescentes desafios econômicos, o futuro político do país permanece incerto enquanto a Europa observa com apreensão.

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