A crise humanitária na Faixa de Gaza mostra progresso limitado nos corredores de ajuda com obstáculos persistentes nas passagens de fronteira, rotas marítimas e coordenação de abrigo. Mais de 1 milhão necessitam de abrigo enquanto a fome se agrava apesar dos esforços de cessar-fogo.
Desenvolvimentos no Acesso Humanitário em Gaza: Um Equilíbrio Frágil
A situação humanitária em Gaza continua a ser uma das crises mais críticas do mundo, com desenvolvimentos recentes mostrando tanto progresso quanto obstáculos persistentes na abertura de corredores para ajuda e coordenação de abrigo. Enquanto tempestades de inverno assolam infraestruturas danificadas e abrigos temporários, mais de um milhão de pessoas—metade da população de Gaza—necessitam urgentemente de apoio para abrigo, de acordo com relatórios da ONU.
Passagens de Fronteira: Progresso Limitado Entre Desafios
A passagem de fronteira de Rafah com o Egito, a principal ligação de Gaza com o mundo exterior, tem visto aberturas intermitentes que proporcionam alívio temporário, mas não atendem às necessidades esmagadoras. 'Cidadãos cansados da guerra em Gaza esperam desesperadamente pela reabertura da passagem de Rafah para evacuações médicas e acesso a suprimentos essenciais,' observa a recente cobertura da AP. Enquanto isso, a rota de Kerem Shalom tornou-se cada vez mais perigosa devido à criminalidade relacionada ao conflito, levando a operações reduzidas.
Uma delegação de alto nível da ONU visitou a cidade de Al-Arish e a passagem de fronteira de Rafah em 20 de janeiro de 2025 para coordenar a entrega de ajuda humanitária após o cessar-fogo. 'O cessar-fogo oferece uma oportunidade crítica para abordar as condições humanitárias catastróficas em Gaza, reforçando os envios de ajuda através de todas as rotas disponíveis,' declararam funcionários da ONU durante a visita documentada pela OCHA.
Problemas no Corredor Marítimo
O Corredor Marítimo JLOTS (Joint Logistics Over-the-Shore), estabelecido como um método alternativo de entrega para contornar as restrições das fronteiras terrestres, enfrentou desafios significativos. Um relatório do Escritório do Inspetor Geral da USAID constatou que vários fatores externos prejudicaram significativamente a distribuição de ajuda através deste corredor marítimo. Dificuldades operacionais, problemas de coordenação e preocupações de segurança impediram que o corredor marítimo funcionasse conforme planejado.
Crise de Coordenação de Abrigo
A coordenação de abrigo representa um dos desafios mais urgentes. Apesar da distribuição de milhares de tendas e lonas após o cessar-fogo de outubro, a situação permanece grave. Serviços de água, saneamento e higiene estão sob forte pressão com infraestrutura danificada e acúmulo de resíduos. 'Novas restrições israelenses para ONGs internacionais arriscam paralisar ainda mais as operações humanitárias,' alertou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, em declarações recentes.
As restrições vêm além da legislação que visa a UNRWA, o que líderes humanitários descrevem como um 'padrão preocupante' que mina os princípios humanitários básicos. De acordo com a última atualização da OCHA, parceiros de segurança alimentar entregaram 269.000 refeições através de 84 cozinhas, mas as operações enfrentam grandes desafios, incluindo escassez de combustível e ataques a comboios de ajuda que, desde 27 de maio, resultaram em 758 mortes e mais de 5.005 feridos.
Recusas de Acesso e Obstáculos Operacionais
O Panorama de Acesso Humanitário de setembro de 2024 para Gaza revela entrega de ajuda severamente limitada, com menos da metade dos movimentos coordenados facilitados sem problemas. De 667 movimentos planejados, 138 foram recusados pelas forças israelenses, incluindo 32 entregas de água/saneamento e 16 relacionadas à saúde. O acesso ao norte de Gaza foi particularmente problemático, com apenas 8% de 91 movimentos nos postos de controle norte-sul facilitados.
A entrega de alimentos diminuiu drasticamente, com o Programa Mundial de Alimentos entregando apenas 41% dos bens planejados, em comparação com 58% em agosto. Parceiros humanitários enfrentaram funcionários presos, informações inconsistentes sobre passagens e propostas de rotas alternativas recusadas, prejudicando seriamente os preparativos para o inverno e a prevenção da fome.
Condições de Fome e Projeções Futuras
De acordo com a página da crise humanitária da Faixa de Gaza na Wikipedia, projeções da Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC) mostram que 100% da população está a vivenciar 'altos níveis de insegurança alimentar aguda', e 32% está projetada para atingir níveis catastróficos da Fase 5. Em 22 de agosto de 2025, a IPC afirmou que a fome está a ocorrer no Governo de Gaza, sendo provável que ocorra no próximo mês nos Governos de Deir al-Balah e Khan Yunis.
Alexia Guillaume, uma Oficial Associada de Assuntos Humanitários da OCHA a trabalhar no centro logístico de Al-Arish, descreve os desafios: 'Todos os suprimentos requerem aprovação israelense através de manifestos apresentados no dia anterior à passagem, seguidos por múltiplas inspeções nos lados egípcio e israelense. Grandes desafios incluem atrasos imprevisíveis nas inspeções, proteção dos suprimentos contra pilhagem e clima, e fluxo de ajuda reduzido desde que a ofensiva terrestre de Rafah começou em maio de 2024.'
A situação permanece crítica, uma vez que as necessidades de Gaza superam qualquer outra crise global, exigindo ajustes constantes às condições em evolução. Com a distribuição de água a diminuir para 17.045 metros cúbicos diariamente devido a restrições de combustível e 80% das instalações WASH agora em zonas militarizadas, a resposta humanitária permanece criticamente inadequada para atender às necessidades da população.
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