UE pede calma enquanto Trump ameaça presidente da Venezuela

A União Europeia pede calma e moderação durante a crise na Venezuela após a captura de Maduro por forças americanas. O presidente Trump ameaça a presidente interina Delcy Rodríguez, enquanto o exército venezuelano declara seu apoio a ela. A UE enfatiza a necessidade de uma transição democrática e pacífica, evitando a escalada do conflito.

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União Europeia pede moderação durante crise na Venezuela

A União Europeia fez um apelo coordenado por 'calma e moderação de todos os atores' enquanto a incerteza política na Venezuela aumenta após a dramática captura do presidente Nicolás Maduro por tropas americanas. Em uma declaração divulgada no domingo, a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, enfatizou que 'o direito do povo venezuelano de determinar seu futuro deve ser respeitado' e instou todas as partes a 'evitar a escalada e garantir uma solução pacífica para a crise.'

A declaração, apoiada por todos os Estados-Membros da UE, exceto a Hungria, representa o delicado equilíbrio que a união busca enquanto navega pelas consequências de um dos eventos geopolíticos mais significativos da história recente da América Latina. 'Respeitar a vontade do povo venezuelano continua sendo a única maneira de a Venezuela restaurar a democracia e resolver a crise atual,' afirmou a declaração da UE, evitando cuidadosamente condenar explicitamente a operação militar americana, enquanto lembrava Washington de suas responsabilidades sob o direito internacional.

Retórica ameaçadora de Trump

Enquanto isso, o presidente americano Donald Trump aumentou as tensões com uma linguagem ameaçadora dirigida à nova presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Segundo um relatório do The Atlantic, Trump advertiu em uma entrevista por telefone: 'Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente mais alto que Maduro.' A publicação não especificou o que Trump quis dizer com 'certo' nem esclareceu o contexto exato de seus comentários.

Essa ameaça vem apenas dias depois que forças especiais americanas capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma dramática operação no início da manhã de sábado. Espera-se que o ex-presidente compareça a um tribunal federal em Nova York na segunda-feira, onde enfrentará acusações de narcoterrorismo pendentes há anos.

Exército venezuelano apoia Rodríguez

Na Venezuela, o exército expressou seu apoio a Delcy Rodríguez, que assumiu o papel de presidente interina por ordem do Supremo Tribunal de Justiça. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, descreveu a captura de Maduro como um 'sequestro covarde' e ativou forças em todo o país para repelir o que chamou de 'agressão imperialista' pelos Estados Unidos.

Em um discurso em vídeo no domingo, Padrino afirmou que as forças especiais americanas mataram guarda-costas, soldados e civis do presidente durante a operação, que também incluiu ataques aéreos em grande escala na área de Caracas. 'As Forças Armadas venezuelanas estão unidas atrás de nossa ordem constitucional e da presidente interina Rodríguez,' declarou Padrino, indicando que qualquer tentativa americana de instalar um novo governo enfrentará resistência significativa.

Contexto: Ascensão de Delcy Rodríguez

Delcy Rodríguez, uma advogada de 56 anos e política de carreira, é uma figura central na política venezuelana há décadas. De acordo com sua biografia na Wikipédia, ela serviu como vice-presidente da Venezuela de 2018 a 2026 e ocupou vários cargos-chave, incluindo ministra das Relações Exteriores e chefe do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional. Apesar das sanções da UE, EUA e Canadá por supostas violações de direitos humanos, Rodríguez conseguiu estabilizar a economia venezuelana e aumentar a produção de petróleo, mesmo sob pesadas sanções internacionais.

Seu irmão, Jorge Rodríguez Gómez, atualmente serve como presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, criando uma poderosa dinastia política que agora enfrenta seu maior desafio.

Posição diplomática delicada da UE

A declaração da UE reflete a posição complexa da união sobre a Venezuela. Embora a UE tenha consistentemente sustentado que Maduro 'carece da legitimidade de um presidente democraticamente eleito' e tenha defendido uma transição liderada pela Venezuela para a democracia, ela agora enfrenta o dilema de responder a uma ação militar unilateral americana que viola as normas internacionais.

Analistas europeus observam que a UE está fazendo um malabarismo entre apoiar princípios democráticos e defender o direito internacional, mantendo também seu relacionamento com os Estados Unidos. A ênfase da declaração em 'todos os atores' exercendo moderação parece ser uma crítica sutil tanto à retórica ameaçadora de Trump quanto à mobilização do exército venezuelano.

Implicações regionais e próximos passos

A crise enviou ondas de choque pela América Latina, com países vizinhos observando nervosamente os acontecimentos. A UE pediu coordenação com parceiros internacionais para facilitar um diálogo que leve a uma solução negociada e democrática, exigindo também a libertação incondicional de todos os presos políticos na Venezuela.

Enquanto Maduro se prepara para sua audiência em Nova York e Rodríguez consolida o poder em Caracas, a comunidade internacional enfrenta questões difíceis sobre soberania, intervenção e o futuro da democracia na Venezuela. Os próximos dias testarão se os canais diplomáticos podem prevalecer sobre o confronto militar na resolução de uma das crises políticas mais duradouras do hemisfério.

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