A UE está prestes a assinar um acordo comercial histórico com o Mercosul após 25 anos de negociações, criando a maior zona de livre comércio do mundo. O acordo enfrenta protestos de agricultores e obstáculos parlamentares, apesar dos benefícios económicos.
Do Impasse ao Acordo: Tratado UE-Mercosul Finalmente Alcançado
Após um quarto de século de negociações, a União Europeia está prestes a assinar um acordo comercial histórico com o bloco Mercosul de países sul-americanos. O avanço ocorreu em 9 de janeiro de 2026, quando uma maioria qualificada de Estados-Membros da UE deu sua aprovação, com 21 países a favor, cinco contra e a Bélgica abstendo-se.
A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou a decisão de histórica e declarou: 'Hoje, a Europa deu um forte sinal de que estamos sérios sobre o nosso compromisso de diversificar o nosso comércio e reduzir as nossas dependências.' A cerimónia de assinatura está agendada para 17 de janeiro em Assunção, Paraguai, com von der Leyen e o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, como representantes da UE.
Impacto Económico e Benefícios Industriais
O acordo criaria a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores. De acordo com projeções da Comissão Europeia, o acordo poderia aumentar as exportações da UE para os países do Mercosul em até 39%, ou €49 mil milhões por ano, o que poderia apoiar mais de 440.000 empregos em toda a Europa.
O Chanceler alemão Friedrich Merz saudou o avanço como um 'marco na política comercial europeia e um sinal importante da nossa soberania estratégica e capacidade de ação.' A indústria automóvel espera benefícios significativos, uma vez que as atuais tarifas de 35% sobre a importação de automóveis para os países do Mercosul serão gradualmente eliminadas ao longo de 15 anos.
Hildegard Müller, presidente da Associação da Indústria Automóvel Alemã, chamou o acordo de 'há muito esperado e uma notícia muito boa' para a Europa como local de negócios, observando que os fabricantes alemães de automóveis produziram 524.000 carros no Brasil e na Argentina em 2024, mas exportaram apenas 25.700 veículos para os países do Mercosul.
Protestos dos Agricultores e Oposição Política
Apesar das promessas económicas, o acordo enfrenta forte oposição dos agricultores europeus, que temem ser prejudicados por importações agrícolas mais baratas do Brasil e países vizinhos. Milhares de agricultores protestaram por toda a Europa, com tratores a bloquear estradas na Bélgica, França, Polónia e Irlanda.
A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, argumentou que a aprovação 'não foi o fim da história', uma vez que o Parlamento Europeu ainda tem de votar o acordo. Ela enfatizou que 'a raiva dos agricultores é profunda e as suas exigências são legítimas.'
Na Irlanda, onde milhares protestaram em Athlone, os agricultores temem que o acordo possa permitir mais 99.000 toneladas de carne bovina barata no mercado da UE, o que poderia potencialmente destruir o setor agrícola irlandês.
Medidas de Salvaguarda e Compromissos
Para obter aprovação, a UE negociou medidas de salvaguarda significativas. O limiar que desencadeia investigações sobre produtos agrícolas sensíveis foi reduzido de 8% para 5%, o que significa que a Comissão pode intervir quando os volumes de importação aumentam 5% ou os preços caem 5% para produtos como carne bovina, aves, arroz e açúcar.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, enfatizou que a aprovação do seu país foi possível 'graças às garantias obtidas para os nossos agricultores', tornando o equilíbrio agora 'sustentável'. Concessões adicionais incluem um fundo de compensação de €6,3 mil milhões, controlos reforçados de saúde vegetal e a possibilidade de alocar mais €45 mil milhões do próximo orçamento da UE à Política Agrícola Comum.
O acordo protegerá mais de 340 produtos alimentares tradicionais da UE com denominações geográficas e incluirá limites para importações isentas de direitos de carne bovina, suína e aves do Mercosul.
Próximos Passos e Obstáculos Parlamentares
Embora a aprovação pelo Conselho represente um grande avanço, o acordo ainda enfrenta obstáculos significativos. Deve ser ratificado pelo Parlamento Europeu, onde as coligações de votação se tornaram mais voláteis e imprevisíveis. Ainda não foi anunciada uma data para a votação parlamentar.
De acordo com o artigo da Wikipédia sobre o Acordo de Associação UE-Mercosul, o acordo representa o maior acordo comercial que ambos os blocos celebraram em termos de população envolvida. Uma vez ratificado, ambas as partes reduzirão gradualmente as tarifas de importação sobre 91-92% das exportações ao longo de um período de 15 anos.
Como a Presidente da Comissão Europeia, von der Leyen, twittou: 'A decisão de hoje do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica. A Europa está a dar um forte sinal. Estamos sérios sobre criar crescimento, empregos e proteger os interesses dos consumidores e empresas europeus.'
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