Italiano de 80 anos preso por suposta participação em 'safari de atiradores' em Sarajevo

Autoridades italianas prenderam um homem de 80 anos suspeito de participar de 'safaris de atiradores' durante o cerco a Sarajevo, onde estrangeiros pagavam para atirar em civis. A investigação foi motivada por um documentário e evidências coletadas por um jornalista.

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Italiano Preso por Suspeita de Participar em 'Safari de Atiradores' Durante Cerco a Sarajevo

Autoridades italianas prenderam um ex-caminhoneiro de 80 anos sob suspeita de participar do horrendo 'safari de atiradores' durante o cerco a Sarajevo de 1992 a 1995. O homem, de Pordenone, no nordeste da Itália, é acusado de ter pago para atirar em civis por diversão durante um dos cercos mais longos da história moderna.

As Acusações Horríveis

De acordo com promotores em Milão, o suspeito teria participado do que ficou conhecido como 'turismo de atirador' – onde estrangeiros ricos, segundo depoimentos, pagaram grandes somas às tropas sérvio-bósnias para atirar em civis a partir das colinas ao redor da capital bósnia sitiada. 'Ele teria competido com outros na execução de um plano criminoso, onde civis indefesos, incluindo mulheres, crianças e idosos, foram mortos a tiros,' declarou o Ministério Público.

A investigação foi iniciada em novembro de 2025 após o jornalista Ezio Gavazzeni apresentar uma queixa com base em evidências que ele coletou ao longo de três décadas. Gavazzeni foi inspirado a retomar sua investigação após assistir ao documentário 'Sarajevo Safari' de 2022, do diretor esloveno Miran Zupanič, que detalhou as acusações chocantes.

Contexto do Cerco a Sarajevo

O cerco a Sarajevo durou de 5 de abril de 1992 a 29 de fevereiro de 1996 – impressionantes 1.425 dias, tornando-o o cerco mais longo a uma capital na guerra moderna. De acordo com a Wikipedia, cerca de 13.952 pessoas foram mortas durante o cerco, incluindo 5.434 civis. A cidade foi cercada pelas tropas sérvio-bósnias sob o comando do general Ratko Mladić, que mais tarde seria condenado por genocídio e crimes de guerra.

Atiradores de elite nas colinas circundantes alvejavam civis que tentavam cruzar o que ficou conhecido como 'Sniper Alley' – a principal via da cidade onde os moradores se expunham ao fogo enquanto se deslocavam entre bairros.

Dois Tipos de 'Turistas Atiradores'

A jornalista Marianna Maiorino, que foi a primeira a relatar sobre o suspeito, o descreve como um tipo diferente de participante em comparação com as elites ricas tipicamente associadas a essas atrocidades. 'Essas são pessoas da classe média que poderiam muito bem ser nosso vizinho,' disse ela à mídia italiana. 'Ele gostava de caçar e de armas e ia à Iugoslávia nos fins de semana, mas não para caçar animais: ele atirava em pessoas.'

Segundo a Al Jazeera, participantes ricos supostamente pagavam entre €80.000 e €100.000 (valor indexado) por sessões de tiro de fim de semana, com diferentes taxas cobradas por matar crianças, homens, mulheres e idosos.

Investigação em Andamento e Evidências

Durante uma busca na casa do suspeito, a polícia encontrou cinco rifles e pistolas, juntamente com memorabilia da época do ditador fascista italiano Benito Mussolini. As conexões do suspeito como caminhoneiro com rotas por toda a ex-Iugoslávia podem ter facilitado sua participação sem recursos financeiros significativos.

'A investigação sugere que as autoridades estão agindo contra aqueles que supostamente organizam ou promovem tais empreendimentos turísticos controversos que exploram eventos históricos traumáticos para entretenimento ou lucro,' relatou a Reuters.

O suspeito será interrogado na segunda-feira, com testemunhas adicionais identificadas pelo jornalista Gavazzeni e que devem ser ouvidas nas próximas semanas. Esta representa a primeira prisão no que os promotores italianos esperam que seja uma investigação mais ampla sobre a participação italiana nesses supostos crimes de guerra.

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