Agricultores europeus protestam contra acordo comercial Mercosul

Agricultores em toda a Europa protestam contra o acordo comercial UE-Mercosul, temendo a concorrência de importações sul-americanas mais baratas. O acordo criaria a maior zona de livre comércio do mundo, mas enfrenta oposição de vários países da UE e levanta preocupações sobre padrões agrícolas e ambientais.

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Protestos agrícolas em larga escala por toda a Europa

Agricultores em vários países europeus tomaram as ruas com tratores e bloqueios em protestos coordenados contra o inovador acordo comercial UE-Mercosul. As manifestações ocorrem apenas um dia depois que a maioria dos Estados-membros da UE deu sua aprovação ao controverso acordo que foi negociado por mais de 25 anos.

Na Irlanda, milhares de agricultores se reuniram com seus tratores em Athlone, enquanto agricultores belgas bloquearam várias estradas importantes. Em Bruxelas, manifestantes deixaram seu ponto claro de forma dramática ao despejar uma grande carga de batatas no centro da cidade. Agricultores espanhóis na Catalunha e na Galiza bloquearam rodovias importantes, com alguns incendiando fardos de feno e paletes para criar barricadas. Agricultores franceses se reuniram na Ponte da Normandia antes de dirigir para o porto de Le Havre, enquanto outros bloquearam estradas perto de Bordeaux, incluindo um depósito de combustível onde a polícia teve que intervir.

'Não podemos competir com produtos agrícolas que não atendem aos nossos padrões ambientais e de bem-estar animal,' disse o representante dos agricultores irlandeses Michael O'Connor. 'Este acordo ameaça a sobrevivência das fazendas familiares em toda a Europa.'

O acordo Mercosul: o que está em jogo

O Acordo de Associação UE-Mercosul, que será formalmente assinado em 17 de janeiro no Paraguai, criaria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com quase 800 milhões de pessoas. O acordo eliminaria tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral entre a União Europeia e o bloco Mercosul, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

De acordo com a Euractiv, o acordo beneficiaria indústrias da UE como automotiva, máquinas, produtos químicos e farmacêuticos, proporcionando melhor acesso ao mercado sul-americano. Em troca, a UE importaria produtos agrícolas mais baratos, incluindo soja, carne bovina e açúcar dos países do Mercosul.

'Trata-se de criar oportunidades para empresas europeias enquanto garante concorrência justa,' declarou a porta-voz da Comissão Europeia, Maria Schmidt. 'Incluímos cláusulas de salvaguarda para proteger os agricultores europeus de perturbações no mercado.'

Divisão política e preocupações ambientais

O acordo expôs profundas divisões dentro da UE. Enquanto 21 Estados-membros votaram a favor, cinco países - França, Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria - votaram contra o acordo, com a Bélgica abstendo-se. A Holanda estava entre os países que apoiaram o acordo.

Grupos ambientalistas também expressaram preocupação com o possível impacto do acordo no desmatamento da Amazônia. O acordo contém disposições para desenvolvimento sustentável e cooperação em normas ambientais, mas os críticos argumentam que essas medidas têm mecanismos de aplicação insuficientes.

Como documentado na Wikipedia, a Comissão Europeia propôs €45 bilhões em financiamento adicional para compensar o impacto agrícola e estabeleceu instrumentos legais que permitem aos agricultores suspender o acordo se puderem demonstrar que estão sofrendo danos com o aumento das importações.

O que acontece agora

A cerimônia formal de assinatura no Paraguai será assistida pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa. Após a assinatura, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu, onde uma votação apertada é esperada.

Organizações de agricultores juraram continuar seus protestos, com alguns planejando manifestações maiores antes da votação parlamentar. O resultado determinará se a Europa prossegue com o que os defensores chamam de acordo comercial histórico e os opositores chamam de ameaça à agricultura europeia e aos padrões ambientais.

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