Companhias aéreas em todo o mundo anunciam grandes acordos de compra de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), com 67 companhias se comprometendo. A aviação norte-americana lidera, com a United garantindo 2,9 bilhões de galões. Desafios de produção persistem, com apenas 0,3% de SAF em 2024.
Aviação Global Acelera Transição para Combustível Sustentável
A indústria da aviação está fazendo progressos significativos na descarbonização, com companhias aéreas em todo o mundo anunciando grandes acordos de compra de Combustível Sustentável de Aviação (SAF). De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), 67 companhias aéreas anunciaram publicamente compromissos com SAF até junho de 2024, com um total de 88 acordos de SAF assinados nos últimos dois anos - dos quais 65 são acordos de compra vinculativos. Isso representa uma aceleração dramática na transição da indústria para longe do combustível de aviação convencional.
Companhias Norte-Americanas Lideram o Caminho
As companhias aéreas norte-americanas estão definindo o ritmo para a adoção global de SAF. A United Airlines lidera com compromissos para 2,9 bilhões de galões de SAF, seguida pela Delta com 910 milhões de galões e pela American Airlines com 620 milhões de galões. A Air Canada garantiu 20,5 milhões de galões por ano, enquanto a JetBlue se comprometeu com 1 milhão de galões por ano. Esses volumes enormes sinalizam uma mudança fundamental do uso experimental de SAF para a implementação em escala comercial.
'O SAF é crucial para a descarbonização da aviação e precisamos de incentivos governamentais para priorizar a produção de SAF sobre o diesel renovável,' enfatizou Willie Walsh, diretor-geral da IATA, em uma declaração recente. 'A indústria se comprometeu, mas precisamos de produção que corresponda às nossas ambições.'
Desafios e Soluções de Produção
Apesar da demanda crescente, a produção de SAF enfrenta obstáculos significativos. A IATA relata que a produção de SAF em 2024 atingiu apenas 1 milhão de toneladas, o dobro de 2023, mas menos do que as estimativas anteriores de 1,5 milhão de toneladas. Isso representa apenas 0,3% da produção global de combustível de aviação. Instalações de produção importantes nos EUA adiaram a expansão para o início de 2025, criando um desequilíbrio entre oferta e demanda.
A maioria dos acordos atuais (75 dos 88) envolve bio-SAFs que utilizam a tecnologia de Ésteres e Ácidos Graxos Hidroprocessados (HEFA), que depende de matérias-primas limitadas, como óleo de cozinha usado. Apenas 13 acordos são para SAFs de combustível sintético (e-fuel) de projetos Power-to-Liquid, que combinam CO2 de resíduos com hidrogênio limpo, mas permanecem caros e em desenvolvimento.
'Estamos explorando matérias-primas mais disponíveis, como biomassa lenhosa e resíduos agrícolas, para produzir combustível de aviação com baixo teor de carbono de forma mais sustentável,' explicou a Dra. Maria Chen, pesquisadora de combustíveis sustentáveis do MIT. 'A indústria precisa se diversificar além dos caminhos HEFA para alcançar uma escala significativa.'
Demanda Corporativa Impulsiona o Crescimento do Mercado
A Aliança de Compradores de Aviação Sustentável (SABA) anunciou recentemente acordos históricos que representam a maior coleção de compras de certificados de SAF já realizada. Quase 20 grandes empresas, incluindo AstraZeneca, Deloitte, JPMorgan Chase, Meta e Netflix, comprometeram-se a comprar certificados de SAF para aproximadamente 50 milhões de galões de SAF de alta qualidade ao longo de cinco anos, injetando quase US$ 200 milhões no mercado de SAF.
Essa demanda corporativa ajuda a reduzir barreiras e constrói o mercado de certificados de SAF por meio de modelos de aquisição inovadores. O SAF comprado atinge, em média, uma redução de 80% na intensidade de carbono em comparação com o combustível de aviação convencional, com sustentabilidade certificada por terceiros.
Apoio Político e Perspectiva Futura
As políticas governamentais desempenham um papel crucial em superar a diferença de custo entre o combustível de aviação convencional e o SAF. Por exemplo, a política de Crédito de Compra de SAF de Illinois permitiu que a United Airlines garantisse até 1 milhão de galões de SAF para voos partindo do Aeroporto O'Hare de Chicago. Da mesma forma, os créditos do Padrão de Combustível de Baixo Carbono (LCFS) da Califórnia oferecem incentivos financeiros para a produção e uso de SAF.
Globalmente, 140 instalações de produção de SAF estão em desenvolvimento em 31 países, com uma capacidade esperada de combustível renovável de 51 milhões de toneladas até 2030. No entanto, para alcançar emissões líquidas zero até 2050, a aviação precisa de 3.000 a 6.500 novas fábricas de combustível renovável, exigindo US$ 128 bilhões em investimentos anuais.
'O U.S. SAF Grand Challenge visa 3 bilhões de galões por ano até 2030, enquanto os Regulamentos de Combustível Limpo do Canadá exigem 1 bilhão de litros até 2030,' observou o analista de aviação James Peterson. 'Precisamos de mandatos federais de mistura, créditos fiscais estendidos e adaptações de infraestrutura para alcançar esses objetivos ambiciosos.'
Apesar dos desafios atuais, o aumento dos acordos de compra de SAF pelas companhias aéreas representa um ponto de virada para a sustentabilidade da aviação. À medida que a produção aumenta e os custos diminuem, o combustível sustentável de aviação está prestes a se tornar um produto energético convencional, em vez de um nicho ambiental.
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