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Barco de migrantes afunda na Tunísia: 11 mortos e protestos

Ao menos 11 mortos e 3 desaparecidos após naufrágio de barco de migrantes na Tunísia. Protestos em Ben Gardane por buscas mais rápidas e más condições de vida.

Barco de migrantes afunda na Tunísia: 11 mortos e protestos
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Edicao: PT

Ao menos 11 pessoas morreram e três continuam desaparecidas depois que um barco de migrantes naufragou na costa da Tunísia na quinta-feira, provocando protestos na cidade de Ben Gardane, no sudeste, contra o ritmo das operações de busca. A embarcação superlotada, que transportava cerca de 15 passageiros, a maioria jovens, seguia para a Itália quando afundou a cerca de 26 quilômetros da costa.

O que aconteceu no naufrágio do barco de migrantes na Tunísia?

De acordo com a Guarda Nacional da Tunísia e relatos citados pela Al Jazeera, o barco partiu na madrugada de quinta-feira de um ponto entre as cidades costeiras de Zarzis e Ben Gardane, no sul. Tinha como destino a ilha italiana de Lampedusa, a cerca de 145 quilômetros de distância. A embarcação virou e afundou a aproximadamente 26 km da costa tunisiana; o horário exato do incidente permanece incerto.

O único sobrevivente conhecido, um homem que usava colete salva-vidas, foi encontrado depois de passar 48 horas à deriva no mar por um navio comercial. Entre os ocupantes estavam sete membros da mesma família e uma mulher grávida que viajava com o marido. A maioria das vítimas era de jovens de Ben Gardane, disse à Reuters o chefe do Observatório Tunisiano para os Direitos Humanos.

As autoridades tunisianas afirmam que as operações de busca continuam. A guarda costeira mobilizou helicópteros para procurar os desaparecidos, e pescadores locais se juntaram ao esforço. Em uma tragédia semelhante em 2022, Ben Gardane viveu semanas de protestos contra a forma como as autoridades lidaram com as vítimas, evidenciando um padrão recorrente de indignação com a resposta do estado.

Por que os protestos estão eclodindo na Tunísia?

As mortes inflamaram queixas antigas no centro migratório de Ben Gardane, uma cidade marginalizada perto da fronteira com a Líbia. Na noite de sábado, dezenas de jovens manifestantes bloquearam estradas e atearam fogo em pneus para exigir operações de busca mais rápidas e expressar indignação com as más condições de vida. A polícia tunisiana usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

A agitação local ocorre após manifestações maiores na capital, Túnis, na semana passada. Centenas de apoiadores da oposição e ativistas marcharam em 20 de agosto pedindo a renúncia do presidente Kais Saied, acusado por críticos de conduzir a Tunísia rumo a um governo autoritário de um homem só. Os manifestantes também exigiram a libertação de jornalistas, ativistas e opositores presos.

Como isso se relaciona com a crise política da Tunísia?

Desde o autogolpe de Saied em julho de 2021, organizações de direitos humanos documentaram retrocesso democrático, prisões em massa de críticos e repressão à dissidência. Os protestos recentes não são apenas sobre migração; refletem uma frustração cada vez maior com as dificuldades econômicas e a repressão política, dizem analistas.

O que é a rota migratória do Mediterrâneo Central?

A rota do Mediterrâneo Central, que inclui a travessia da Tunísia para Lampedusa, é o corredor migratório mais mortal do mundo. De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 35.000 pessoas morreram ou desapareceram no Mediterrâneo desde 2014, e mais de 900 mortes ou desaparecimentos foram registrados somente em 2026.

  • Distância: da costa tunisiana a Lampedusa são cerca de 145 km.
  • Tipo de embarcação: geralmente barcos pequenos e superlotados ou botes de borracha.
  • Principais pontos de partida: Zarzis, Ben Gardane, Sfax.
  • Mortes em 2026: mais de 900 mortes ou desaparecimentos relatados pela OIM.

Apesar de um acordo UE-Tunísia de 2023 que reduziu drasticamente as partidas, as travessias perigosas a partir da costa sul da Tunísia continuam. O acordo migratório UE-Tunísia foi criticado por 46 organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, por permitir abusos de direitos humanos.

Quais são as implicações?

A tragédia de Ben Gardane evidencia o custo mortal da migração irregular e a fragilidade das comunidades costeiras da Tunísia. Para os moradores, a lentidão das operações oficiais de busca — e a dependência de pescadores locais para ajudar a recuperar corpos — aprofundou a desconfiança no estado. Os protestos também sinalizam que a agitação política mais ampla pode se intensificar à medida que as condições econômicas pioram.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas morreram no naufrágio do barco de migrantes na Tunísia?

Ao menos 11 pessoas morreram, segundo as autoridades tunisianas; alguns relatos locais apontam 12 corpos recuperados. Três pessoas continuam desaparecidas e uma sobreviveu.

Onde o barco de migrantes afundou?

O barco afundou a cerca de 26 quilômetros da costa sudeste da Tunísia, após partir entre Zarzis e Ben Gardane.

Por que as pessoas estão protestando em Ben Gardane?

Os manifestantes exigem operações de busca mais rápidas para os desaparecidos e expressam indignação com as más condições de vida e com a forma como o governo lidou com a tragédia.

O que é o acordo migratório UE-Tunísia?

Assinado em 2023, o acordo prevê apoio financeiro da UE à Tunísia em troca de controles fronteiriços mais rígidos, mas organizações de direitos humanos dizem que ele tem levado a abusos contra migrantes.

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