Dois presos escapam de prisão francesa serrando grades

Dois prisioneiros escaparam da prisão de Dijon serrando grades, a segunda fuga em prisão francesa em dez dias durante crise de superlotação com 133,7% de ocupação.

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Fuga espetacular em Dijon expõe problemas sistêmicos

Em uma ousada fuga noturna que revela graves problemas de segurança no sistema prisional francês, dois detentos conseguiram escapar da prisão de Dijon serrando grades e usando lençóis para escalar cercas com arame farpado. A fuga, que ocorreu em 27 de novembro de 2025, só foi descoberta pela manhã, fazendo com que as autoridades se apressassem para localizar os fugitivos que ainda estão foragidos.

Os fugitivos e seus métodos

Os dois prisioneiros são um homem de 19 anos que estava em prisão preventiva por tentativa de homicídio em um caso relacionado a drogas e um homem de 32 anos preso por violência doméstica. De acordo com Le Monde, o detento mais jovem tem ligações com o crime organizado e um longo histórico criminal. O método de fuga envolveu serrar as grades da cela, provavelmente com ferramentas que podem ter sido contrabandeadas para dentro da prisão, e depois usar lençóis para escalar várias cercas de segurança com arame farpado.

"Esta fuga revela vulnerabilidades graves em nosso sistema de segurança prisional," disse um promotor local que pediu anonimato. "O fato de terem conseguido serrar grades e escapar por horas sem serem notados é profundamente preocupante."

Segunda fuga em dez dias

Este incidente marca a segunda fuga de prisão na França em apenas dez dias, após outro caso notório em Rennes, onde um ladrão condenado de 37 anos escapou durante uma visita a um planetário local. Essa fuga levou o ministro da Justiça Gérald Darmanin a demitir o diretor da prisão de Rennes, um passo que gerou reações mistas dos sindicatos de funcionários prisionais.

Um funcionário da prisão de Dijon, que falou anonimamente por medo de represálias, disse aos repórteres: "Há meses alertamos sobre condições em deterioração. A superlotação torna a supervisão adequada quase impossível e as medidas de segurança estão sendo levadas ao limite."

Crise prisional da França por superlotação

A fuga em Dijon destaca o grave problema de superlotação prisional da França. Segundo estatísticas recentes, as prisões francesas atingiram um recorde de 83.681 detentos em maio de 2025, enquanto as instalações foram projetadas para apenas 62.570 prisioneiros - resultando em uma taxa de ocupação de 133,7%. A instalação de Dijon foi projetada para 180 detentos, mas atualmente abriga 311 prisioneiros, o que representa aproximadamente 173% da capacidade.

A França ocupa o terceiro lugar entre os países europeus com a pior superlotação prisional, atrás apenas de Chipre e Romênia, de acordo com relatórios do Conselho da Europa. A superlotação levou ao que organizações de direitos humanos descrevem como "condições terríveis", onde os detentos às vezes são forçados a dormir em colchões colocados diretamente no chão da cela.

Resposta do governo e preocupações de segurança

O ministro da Justiça Gérald Darmanin está sob pressão crescente para abordar os problemas de segurança prisional. Após a fuga em Rennes, ele anunciou planos para buscas massivas em todas as instalações francesas até o final de 2025 e propôs legislação que trataria traficantes de drogas na prisão com a mesma severidade que terroristas.

No entanto, os sindicatos prisionais criticaram a abordagem do ministro. "Concentrar recursos em instalações de alta segurança enquanto a maioria das prisões é negligenciada cria desequilíbrios perigosos," disse um representante do sindicato dos diretores de prisões. "Precisamos de reforma abrangente, não apenas medidas reativas após as fugas ocorrerem."

As fugas ocorrem em meio a preocupações contínuas de segurança na França, incluindo a espetacular fuga do notório barão das drogas Mohamed Amra em maio de 2024. Os incidentes recentes reacenderam debates sobre reforma prisional, protocolos de segurança e o equilíbrio entre reabilitação e segurança pública no sistema de justiça criminal francês.

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