Ex-militares colombianos condenados por assassinato de 135 civis

12 ex-militares colombianos condenados por assassinato de 135 civis apresentados como rebeldes. Recebem penas restaurativas como serviço comunitário em vez de prisão.

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Sentença histórica no conflito colombiano

Doze ex-militares colombianos foram condenados por seu envolvimento no assassinato de 135 civis durante o conflito armado com rebeldes das FARC. O Tribunal Especial de Paz (JEP) emitiu a sentença após anos de investigação sobre o infame escândalo dos "falsos positivos" que chocou o establishment militar colombiano.

Atrocidades do batalhão La Popa

Os militares condenados pertenciam ao batalhão La Popa no norte da Colômbia, onde sistematicamente assassinaram civis inocentes e os apresentaram como rebeldes para obter promoções, bônus e tempo de férias. "A verdade sobre esses assassinatos foi negada, ocultada e silenciada por anos," declarou a juíza presidente Ana Manuela Ochoa Arias durante a sessão em Bogotá.

Vítimas vulneráveis

Documentos judiciais revelam que algumas vítimas tinham deficiência intelectual, tornando-as alvos fáceis para unidades militares que queriam inflar suas estatísticas de combate. Entre 2002 e 2008, milhares desses assassinatos de "falsos positivos" ocorreram em todo o país, embora organizações de vítimas acreditem que o número real de mortos seja significativamente maior.

Justiça pós-conflito

As condenações resultam do acordo de paz colombiano de 2016 com rebeldes das FARC, que pôs fim a mais de cinquenta anos de conflito armado que tirou mais de 200.000 vidas e deslocou cinco milhões de pessoas. O JEP foi estabelecido como parte deste acordo para processar tanto ex-militares quanto ex-rebeldes por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Justiça restaurativa

Em vez de penas tradicionais de prisão, os doze ex-militares receberam oito anos de trabalhos restaurativos, incluindo construção de estradas, plantio de árvores e remoção de minas terrestres. Esta abordagem reflete penalidades semelhantes impostas a líderes das FARC no início desta semana por sequestros.

Os militares condenados também devem ajudar na construção de um centro cultural memorial para a comunidade indígena Wiwa, cujos membros estavam entre as vítimas, e participar de atividades memoriais onde reconhecem seus crimes.

Reações mistas das famílias

Embora muitos familiares estejam aliviados que a verdade finalmente veio à tona após anos de acusações falsas de que seus entes queridos eram guerrilheiros, alguns familiares consideram as penas alternativas insuficientes e prefeririam que os ex-militares fossem para a prisão.

A sentença representa um passo significativo no contínuo processo de reconciliação da Colômbia, embora a nação continue lutando com o legado de seu prolongado conflito interno.

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