Visita de Kim Ju Ae, de 13 anos, a mausoléu aponta planos de sucessão
A filha de 13 anos do líder norte-coreano Kim Jong Un, Kim Ju Ae, deu um passo importante em direção à liderança do país com sua primeira visita pública ao Palácio do Sol de Kumsusan. A visita em 1º de janeiro, onde ela ficou entre os pais e fez uma reverência profunda aos restos embalsamados de seu avô Kim Jong Il e bisavô Kim Il Sung, constitui uma importante declaração política na dinâmica de liderança do país fechado.
Gesto simbólico com peso político
Analistas e agências de inteligência interpretam esta aparição cuidadosamente orquestrada como um sinal claro de que Kim Ju Ae está sendo preparada como a líder de quarta geração da dinastia Kim. 'Esta não é apenas uma visita familiar - é um ritual político que a coloca diretamente na linha de sucessão da liderança norte-coreana,' diz o Dr. Park Won-gon, professor de Estudos da Coreia do Norte na Universidade Feminina Ewha em Seul. 'O Palácio do Sol de Kumsusan é o local político mais sagrado da Coreia do Norte, e sua presença lá ao lado do pai envia uma mensagem inconfundível sobre sucessão.'
A visita ocorre pouco antes de um esperado congresso do Partido dos Trabalhadores, onde especialistas acreditam que Kim Ju Ae poderia receber sua primeira posição oficial dentro do partido governante. De acordo com relatórios da AP News, alguns analistas sugerem que ela pode ser nomeada Primeira Secretária do Partido dos Trabalhadores - a segunda posição mais alta na hierarquia partidária. Outros, no entanto, alertam que sua tenra idade pode significar que ela inicialmente receba uma posição inferior.
Ascensão rápida à proeminência
O perfil público de Kim Ju Ae cresceu dramaticamente desde sua primeira aparição em novembro de 2022 durante um teste de míssil balístico intercontinental. Desde então, ela acompanhou o pai em inúmeros eventos de alto nível, incluindo paradas militares, inspeções de fábricas e reuniões diplomáticas. Sua viagem a Pequim em setembro de 2025 com Kim Jong Un marcou sua primeira aparição no exterior e incluiu encontros com o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin.
'A viagem a Pequim foi particularmente significativa porque lhe deu exposição internacional e a estabeleceu como uma figura diplomática,' observa o Dr. Lee Sang-sin, pesquisador do Instituto Coreano para a Unificação Nacional. 'A cobertura da mídia estatal mostrou que ela recebeu o mesmo nível de proteção que seu pai, com aviões especiais transportando seus pertences e detalhes de segurança que refletiam os de um chefe de estado.'
Sucessão em um sistema dominado por homens
A potencial elevação de uma sucessora feminina representa uma possível mudança na estrutura de poder tradicionalmente dominada por homens da Coreia do Norte. Embora o país sempre tenha sido governado por homens da família Kim, a crescente visibilidade de Kim Ju Ae sugere que seu pai pode estar rompendo com a tradição. O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS) já avaliou que ela é a sucessora reconhecida de Kim Jong Un, embora alguns especialistas permaneçam cautelosos.
'Sua idade é certamente um fator - aos 13 anos, ela é muito jovem para se tornar membro oficial do Partido dos Trabalhadores, que exige que os membros tenham pelo menos 17 anos,' explica o professor Kim Hyun-wook da Academia Diplomática Nacional da Coreia. 'Mas a maneira sistemática como ela está sendo introduzida nos assuntos estatais sugere um planejamento de longo prazo para uma transição de liderança.'
Dinâmica familiar e irmãos desconhecidos
Pouco se sabe sobre a vida privada de Kim Jong Un, mas de acordo com informações da Wikipedia, há rumores persistentes sobre outros filhos. Fontes de inteligência sul-coreanas sugerem que Kim e sua esposa Ri Sol-ju podem ter outros dois filhos - um filho mais velho nascido por volta de 2010 e um irmão ou irmã mais novo nascido em 2017. No entanto, essas alegações nunca foram confirmadas pela mídia estatal norte-coreana, e alguns especialistas questionam sua validade.
O próprio nome 'Kim Ju Ae' só foi confirmado oficialmente recentemente pelas autoridades norte-coreanas. O jogador de basquete americano Dennis Rodman mencionou o nome pela primeira vez após sua visita a Pyongyang em 2013, mas levou quase uma década para que a mídia estatal o usasse consistentemente. A mídia norte-coreana agora se refere a ela com títulos honoríficos como 'respeitada' e 'grande pessoa de liderança' - termos tipicamente reservados para os principais líderes.
Implicações regionais e cenários futuros
Enquanto a Coreia do Norte se prepara para uma possível transição de liderança, as potências regionais acompanham de perto os desenvolvimentos. O arsenal nuclear do país e as tensões contínuas com a Coreia do Sul e os Estados Unidos tornam o planejamento sucessório particularmente sensível. 'Uma transição suave é crucial para a estabilidade regional,' diz o Dr. Yang Moo-jin, presidente da Universidade de Estudos Norte-Coreanos. 'Kim Jong Un está agora lançando as bases para garantir a continuidade de sua política e do domínio da família Kim.'
O próximo congresso do Partido dos Trabalhadores, esperado para o início de 2026, será um indicador importante do status oficial de Kim Ju Ae. Embora uma indicação imediata como sucessora pareça improvável devido à sua idade, suas contínuas aparições de alto nível sugerem que ela está sendo sistematicamente preparada para a futura liderança. Como observou um diplomata ocidental sediado em Seul: 'Se ela se tornar líder amanhã ou daqui a dez anos, a mensagem é clara - a dinastia Kim pretende continuar, e ela está sendo posicionada como sua próxima porta-estandarte.'