Guias Vulcânicos do Etna em Greve Contra Medidas de Segurança 'Exageradas'
Guias vulcânicos do Monte Etna, na Sicília, o vulcão mais ativo da Europa, entraram em uma greve rara em protesto contra novas restrições de segurança impostas pelas autoridades após erupções recentes. O conflito surgiu entre as autoridades locais e os guias profissionais que conduzem milhares de turistas anualmente até os espetaculares fluxos de lava do estratovulcão de 3.403 metros.
Novas Restrições Geram Controvérsia
As novas regras, implementadas após o Etna começar a entrar em erupção na véspera de Natal de 2025, incluem várias medidas controversas: excursões agora são permitidas apenas até o pôr do sol, turistas devem manter uma distância mínima de 200 metros dos fluxos de lava, o tamanho dos grupos está limitado a 10 pessoas e a vigilância por drones monitora zonas de exclusão. Essas regras representam um aperto significativo em comparação com as diretrizes anteriores, que permitiam acesso mais próximo sob a supervisão de guias.
'Essas medidas são completamente exageradas e ignoram nossa experiência profissional,' diz Marco Rossi, um guia experiente do Etna com 15 anos de experiência. 'Os fluxos de lava se movem lentamente o suficiente para observação segura quando bem gerenciados. Fazemos isso com segurança há décadas.'
Impacto Econômico no Setor do Turismo
De acordo com relatórios do setor, as restrições levaram a uma queda dramática de 50% na receita das empresas de guias independentes. Passeios noturnos, que eram particularmente lucrativos devido aos efeitos visuais espetaculares da lava incandescente no escuro, foram completamente cancelados. A zona de amortecimento obrigatória de 200 metros também impede que os turistas tirem as fotos e vídeos de close-up que tornaram famosas as excursões ao Etna nas redes sociais.
O Etna, designado como Patrimônio Mundial da UNESCO em 2013, atrai aventureiros de todo o mundo. A indústria do turismo vulcânico sustenta centenas de empregos locais na Sicília, onde o desemprego continua sendo um desafio persistente. 'Isso não é apenas sobre segurança—é sobre nosso sustento,' explica a presidente da associação de guias, Lucia Bianchi. 'Queremos cooperar com as autoridades, não contra elas, mas essas regras tornam nossa profissão insustentável.'
Perspectiva Científica sobre Segurança
Vulcanologistas do Instituto Nacional Italiano de Geofísica e Vulcanologia (INGV) confirmam que, embora a erupção continue, os fluxos de lava atuais não representam uma ameaça direta às áreas habitadas. A lava atingiu cerca de 1.360 metros acima do nível do mar antes de esfriar, muito abaixo das zonas povoadas. No entanto, as autoridades enfatizam que a atividade vulcânica imprevisível justifica medidas de precaução.
'Cada erupção é diferente, e a segurança deve vir em primeiro lugar,' declara Giovanni Marino, diretor da proteção civil em Catania. 'Já vimos turistas tirando selfies perigosas nas bordas da lava. Nossa responsabilidade é prevenir tragédias antes que aconteçam.'
O conflito atual reflete tensões semelhantes do verão de 2025, quando as autoridades proibiram aproximações a menos de 50 metros da lava após turistas serem fotografados tirando selfies na borda de rios de lava fluente. Esse incidente levou o prefeito de Biancavilla a declarar: 'A segurança vem primeiro,' estabelecendo o precedente para uma regulamentação mais rigorosa.
Em Busca de um Compromisso
Com a grege entrando em sua segunda semana, ambas as partes estão explorando possíveis compromissos. Os guias propuseram um sistema escalonado no qual profissionais certificados com treinamento avançado poderiam conduzir grupos menores mais perto da lava sob condições específicas. Eles também propõem a reintrodução de passeios ao pôr do sol com protocolos de segurança aprimorados, em vez de uma proibição total.
O conselho regional de turismo reconhece o impacto econômico, mas enfatiza a importância do equilíbrio entre a segurança dos visitantes e a sustentabilidade do setor. 'O Etna é uma das joias da coroa do turismo da Sicília,' diz a comissária de turismo Maria Conti. 'Precisamos de soluções que protejam tanto os visitantes quanto os profissionais que tornam essas experiências possíveis.'
Com as erupções do Etna continuando, mas se estabilizando, a resolução desse conflito estabelecerá precedentes importantes para o turismo vulcânico em todo o mundo. Como observou uma turista decepcionada após o cancelamento de sua excursão: 'Viemos do Japão para ver essa maravilha natural. Deve haver uma maneira de experimentá-la com segurança.'