Comitê Nobel esclarece regras após oferta de Machado a Trump
O Comitê Norueguês do Nobel emitiu uma declaração definitiva esclarecendo que os Prêmios Nobel não podem ser revogados, compartilhados ou transferidos para outras pessoas. Este anúncio segue a sugestão da líder da oposição venezuelana María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, de que ela poderia oferecer seu prêmio ao presidente americano Donald Trump em agradecimento por seu papel na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
'A decisão é definitiva e válida para sempre,' declarou o Instituto Nobel, que relatou ter recebido inúmeras perguntas nos últimos dias sobre a possibilidade de transferência de prêmios. 'Uma vez anunciado, um Prêmio Nobel não pode ser revogado, compartilhado ou transferido para outros.'
Declarações controversas de Machado
A controvérsia começou quando Machado, em entrevista à Fox News, foi questionada se havia oferecido seu Nobel a Trump. 'Ainda não,' respondeu ela, acrescentando que queria dizer pessoalmente a ele que os venezuelanos achavam que ela deveria compartilhar o prêmio. Machado, que fugiu da Venezuela no ano passado e desde então reside na Noruega, elogiou as ações de Trump na Venezuela e disse 'Estamos à beira da vitória e hoje, mais do que nunca, contamos com o presidente Trump, o povo americano, os povos da América Latina e as nações democráticas do mundo como nossos principais aliados para alcançar a liberdade e a democracia.'
Trump reagiu com entusiasmo, chamando-o de 'uma grande honra' e anunciando planos para se encontrar com Machado na semana seguinte. Ele também criticou o Comitê Nobel, chamando-o de 'vergonhoso para a Noruega' que ele não tivesse recebido o prêmio inicialmente.
Contexto: A crise venezuelana
Machado ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2025 por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos na Venezuela. O prêmio reconheceu sua luta por uma transição pacífica da ditadura para a democracia em um país onde o PIB encolheu 80% sob o governo de Maduro.
Na semana passada, tropas americanas conduziram uma operação militar na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Eles foram levados para Nova York para enfrentar acusações de narcoterrorismo. A operação, realizada sem notificação ao Congresso, representa a intervenção militar americana mais agressiva no hemisfério ocidental desde a invasão do Panamá em 1989.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, foi empossada como presidente interina e cooperará com os planos de reconstrução de Washington. A operação gerou condenação internacional da Rússia e da China, enquanto há reações mistas na região.
Aspirações Nobel de Trump e prêmio controverso da FIFA
Trump nunca fez segredo de seu desejo por um Prêmio Nobel da Paz, alegando anteriormente que merecia por acabar com guerras. 'Acho que mereço por todas as guerras que acabei,' ele declarou várias vezes, embora conflitos em Gaza e outros lugares continuem.
Em um aparente gesto de consolo, a FIFA recentemente criou um novo 'Prêmio da Paz da FIFA' e o concedeu a Trump durante o sorteio da Copa do Mundo em Washington. O movimento foi amplamente criticado como oportunismo político, com críticos apontando a ironia de conceder um prêmio da paz a um líder que, apenas em 2025, autorizou centenas de ataques aéreos em todo o mundo.
Trump também aceitou outros presentes controversos, incluindo um luxuoso Boeing 747 da família real do Qatar, avaliado em cerca de 400 milhões de dólares. Embora os presidentes americanos geralmente tenham proibição de aceitar tais presentes, o avião foi oficialmente doado ao Pentágono, contornando a aprovação do Congresso.
Perspectivas futuras
Apesar das reservas iniciais de Trump sobre Machado como sucessora de Maduro, ele agora a convidou a Washington para participar de discussões sobre o futuro da Venezuela. 'Ela não tem o apoio ou o respeito dentro do país,' disse Trump no fim de semana passado, mas desde então mudou de rumo e agora a está permitindo participar de conversas sobre a reconstrução da Venezuela.
O esclarecimento do Comitê Nobel serve como um lembrete de que, embora gestos políticos possam ser simbólicos, as regras institucionais que regem um dos prêmios mais prestigiados do mundo permanecem inalteradas. À medida que a crise venezuelana se desenrola, a comunidade internacional observa atentamente para ver como essa intervenção sem precedentes afetará a estabilidade regional e as transições democráticas na América Latina.