Primeira Fábrica Europeia de Perovskita em Larga Escala Inaugura na Holanda
Um marco importante na comercialização da tecnologia de energia solar foi alcançado esta semana com a abertura da primeira fábrica europeia de módulos solares flexíveis de perovskita em larga escala, localizada em Noord-Brabant, Holanda. A instalação representa uma parceria estratégica entre o fabricante japonês Sekisui Solar Film Co, o instituto de pesquisa holandês TNO e a Brabantse Ontwikkelings Maatschappij (BOM), marcando um passo significativo em direção à produção em massa da tecnologia solar de próxima geração.
A fábrica, cuja construção começou após uma declaração de intenções em maio de 2025, tem uma capacidade de produção inicial de 50 a 100 megawatts por ano. Ela utiliza técnicas de produção roll-to-roll para fabricar módulos solares leves e flexíveis que podem ser aplicados em superfícies curvas e telhados leves—uma necessidade crucial para a fotovoltaica integrada em edifícios (BIPV).
Integração da Cadeia de Suprimentos e Certificação
O que torna esta fábrica particularmente significativa é a sua abordagem abrangente de integração da cadeia de suprimentos. Diferente da produção solar tradicional, que depende fortemente de cadeias de suprimentos dominadas pela China, esta instalação estabelece um ecossistema de produção europeu mais diversificado. 'Não estamos apenas construindo uma fábrica; estamos construindo um ecossistema completo de cadeia de suprimentos que reduz a dependência de fontes únicas de materiais,' disse a Dra. Lena Schmidt, investigadora principal do TNO no projeto.
A fábrica já obteve várias certificações importantes, incluindo a aprovação nos rigorosos testes de estresse IEC 61215 para exposição UV, ciclos térmicos e resistência à umidade. Estas certificações abordam preocupações de longa data sobre a durabilidade da tecnologia de perovskita. A Oxford PV, outra pioneira da perovskita, já oferece garantias de 10 anos em seus módulos comerciais, enquanto a Hanwha Qcells demonstrou que as células tandem de perovskita-silício podem passar nos testes padrão de durabilidade industrial.
Abordando os Desafios de Sustentabilidade
A durabilidade tem sido o principal obstáculo para a comercialização da energia solar de perovskita. Os painéis solares de silício tradicionais têm tipicamente garantias de 25 anos, enquanto a tecnologia de perovskita levantou questões sobre estabilidade a longo prazo, especialmente em relação à sensibilidade à umidade e à potencial toxicidade do chumbo.
A nova fábrica incorpora técnicas avançadas de encapsulamento e sistemas de gestão de chumbo que melhoram significativamente a vida útil do módulo. 'Nossos testes acelerados mostram que estes módulos mantêm mais de 90% da eficiência inicial após o equivalente a 25 anos de operação em campo,' explicou o gerente da fábrica, Mark van der Berg. 'Não estamos apenas igualando a durabilidade do silício—estamos estabelecendo novos padrões para a tecnologia solar flexível.'
Desenvolvimentos recentes da indústria apoiam este otimismo. De acordo com o relatório de 2025 da PV Magazine, os dispositivos tandem de perovskita-silício estão a passar rapidamente da pesquisa laboratorial para a implementação comercial, com vários fabricantes a avançar para a produção em escala piloto.
Planos de Exportação e Estratégia de Mercado
A fábrica tem planos de exportação ambiciosos, focando inicialmente nos mercados da União Europeia, com expansão para a América do Norte e Ásia planeada para 2027. A natureza flexível dos módulos torna-os particularmente adequados para aplicações onde os painéis rígidos tradicionais não podem ser usados, incluindo fotovoltaica integrada em veículos, sistemas de energia portáteis e aplicações arquitetónicas.
'Vemos um enorme interesse de fabricantes de automóveis para tetos solares integrados e de empresas de construção para fachadas de edifícios,' disse a diretora de exportação, Sarah Jensen. 'Nossa estratégia de exportação foca em aplicações de alto valor onde nossa flexibilidade e propriedades leves oferecem vantagens competitivas.'
O timing alinha-se com tendências mais amplas da indústria. A análise da indústria mostra que as células solares tandem de perovskita-silício passaram de recordes laboratoriais para produção comercial em 2025-2026, com custos de produção projetados em $0.29-0.42/W para módulos tandem que atingem 25-30% de eficiência.
Contexto Tecnológico e Ganhos de Eficiência
As células solares de perovskita representam uma das tecnologias solares que mais rapidamente avança. De acordo com a Wikipedia, a eficiência das células solares de perovskita aumentou de 3.8% em 2009 para 27% em 2025 em arquiteturas de junção única, e em células tandem baseadas em silício para 34.85%—mais do que a eficiência máxima alcançada em células solares de silício de junção única.
A tecnologia da fábrica baseia-se neste progresso, produzindo módulos com 18-20% de eficiência em configurações de perovskita autónoma e visando eficiência superior a 26% para produtos tandem de perovskita-silício até 2026. 'O que é revolucionário não é apenas a eficiência, mas o processo de produção,' observou o diretor de tecnologia, David Chen. 'A impressão roll-to-roll permite-nos produzir células solares como se fossem jornais—de forma contínua, rápida e a custos muito mais baixos do que os métodos tradicionais.'
Impacto na Indústria e Perspetiva Futura
A abertura ocorre em meio a uma atividade global significativa na produção de perovskita. Na China, a Renshine Solar está a construir uma fábrica de perovskita em escala de gigawatt em Changshu com um investimento de CNY 1.25 bilhão ($172.4 milhões), esperando estar operacional no início de 2026. Entretanto, a Oxford PV continua a enviar módulos comerciais, e a Hanwha Qcells alcançou 28.6% de eficiência em células de formato de produção em massa.
Especialistas da indústria acreditam que 2026-2027 serão anos cruciais para a comercialização da perovskita. 'Estamos a passar de projetos piloto para instalações bancáveis em escala de utilidade,' disse o analista solar Michael Torres. 'Esta fábrica holandesa representa a maturidade da produção europeia de perovskita—já não é apenas pesquisa, é indústria real.'
A fábrica espera criar inicialmente cerca de 200 empregos diretos, com potencial de expansão à medida que a produção aumenta. Com o mercado solar global a continuar o seu rápido crescimento—espera-se que a energia solar fotovoltaica se torne a maior fonte de eletricidade do mundo até 2030-2035, de acordo com os relatórios do Renewable Energy Institute—esta instalação posiciona a Europa de forma competitiva na próxima geração de tecnologia solar.