PMA corta ajuda alimentar em Gaza: 500 mil em risco

PMA corta ajuda a 500 mil palestinianos em Gaza em outubro de 2026. Financiamento caiu para metade; 67% vive crise alimentar e 200 mil estão perto da fome.

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Edicao: PT

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) vai cortar a ajuda alimentar mensal de 500 mil palestinianos em Gaza a partir de outubro de 2026, reduzindo o alcance de 1,6 milhões para 1,1 milhões de pessoas à medida que o défice de financiamento se agrava. A decisão surge com a aproximação do inverno e quando dois terços da população de Gaza já enfrenta insegurança alimentar de nível de crise, com 200 mil pessoas em condições de emergência, a um passo da fome.

O que está a provocar o défice de financiamento do PMA em Gaza?

O PMA afirma que o financiamento para 2026 caiu mais de metade face a 2025. A agência precisa de cerca de 450 milhões de dólares para manter operações em Gaza e na Cisjordânia até março de 2027, mas os doadores não acompanharam. Segundo a BBC, o diretor do PMA para a Palestina, Shaun Hughes, disse que os cortes são financeiros: Estes cortes têm a ver com dinheiro, não com menos necessidade. O desmantelamento da USAID e a fadiga dos doadores agravaram a lacuna, e as restrições israelitas elevam os custos. Na Cisjordânia ocupada, o PMA já reduziu beneficiários de 400 mil para 200 mil.

Como os cortes afetarão 500 mil pessoas

Desde outubro, o PMA apoiará 1,1 milhões em vez de 1,6 milhões. O sistema de ajuda humanitária em Gaza sentirá a redução em vários canais:

  • Caixas mensais de farinha e rações caem de 1,1 milhões para 600 mil.
  • Refeições quentes diárias das cozinhas comunitárias descem de 250 mil para 150 mil.
  • Famílias junto à 'Linha Amarela' controlada por Israel receberão refeições em dias alternados.
  • Transferências monetárias para 500 mil pessoas já tinham sido reduzidas desde julho de 2026.
IndicadorAntes dos cortesDepois dos cortes
Pessoas assistidas por mês1,6 milhões1,1 milhões
Refeições quentes diárias250 mil150 mil
Caixas de rações mensais1,1 milhões600 mil

Risco de fome e recuperação paralisada

Os cortes ocorrem num território onde a recuperação do cessar-fogo em Gaza estagnou: mais de um ano depois, a reconstrução não começou. Cerca de 80% da força de trabalho está desempregada, a pesca está proibida e quase todos os 2,1 milhões de residentes estão deslocados. Uma em cada oito crianças sofre de desnutrição crónica, segundo a Unicef.

Dados da IPC mostram que 1,4 milhões de pessoas — 67% da população — estão em nível de crise ou pior, e 200 mil em emergência. O alerta de fome em Gaza 2026 não é teórico: já é visível no aumento da desnutrição.

O que dizem especialistas e agências

A ONU News refere que o PMA foi forçado a 'reduzir drasticamente a assistência vital'. Responsáveis humanitários avisam que restaurar os programas pode demorar meses, porque as cadeias de abastecimento e as cozinhas já foram reduzidas. O momento é especialmente perigoso: o inverno aumenta as necessidades calóricas e as doenças. O défice de financiamento do PMA insere-se na redução mais ampla da ajuda multilateral.

FAQ

Porque é que o PMA corta a ajuda em Gaza?

Falta de financiamento, não de necessidade. O financiamento de 2026 é menos de metade do de 2025, deixando uma lacuna de 450 milhões de dólares até março de 2027.

Quantas pessoas perdem a assistência?

Cerca de 500 mil palestinianos; o apoio mensal cai de 1,6 para 1,1 milhões de pessoas a partir de outubro de 2026.

Que ajuda é reduzida?

As rações caem de 1,1 milhões para 600 mil por mês, as refeições quentes de 250 mil para 150 mil, e as transferências monetárias já foram cortadas para 500 mil pessoas.

Quão grave é a insegurança alimentar?

Dois terços da população, cerca de 1,4 milhões de pessoas, enfrentam crise alimentar, e 200 mil estão a um passo da fome.

O PMA pode restaurar a ajuda rapidamente?

Não. Restaurar os programas pode demorar meses, mesmo com financiamento, porque as cozinhas e redes de distribuição foram reduzidas.

Conclusão

Os cortes do PMA mostram que a resposta internacional à fome em Gaza está a encolher, justamente quando o inverno e a reconstrução paralisada empurram mais famílias para a fome. Sem financiamento urgente, as 500 mil pessoas excluídas enfrentarão escolhas mais difíceis, e o risco de uma fome em Gaza generalizada crescerá.

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