Em 1º de janeiro de 2026, o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM) da União Europeia entrou em sua fase definitiva, marcando a primeira vez que uma grande economia externalizou sua precificação de carbono. Importadores de aço, alumínio, cimento, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio agora devem adquirir certificados CBAM vinculados ao preço do EU ETS, que estava em €75,36 por tonelada de CO₂ no primeiro trimestre de 2026. Esta política já desencadeia retaliações de parceiros comerciais e estimula medidas similares globalmente, remodelando a interseção entre clima e comércio.
O que é o CBAM e como funciona?
O CBAM é uma tarifa de carbono para evitar o 'vazamento de carbono'. Importadores de bens cobertos acima de 50 toneladas anuais devem se registrar, calcular emissões incorporadas e entregar certificados ao preço médio semanal do EU ETS. O mecanismo cobre cerca de €50 bilhões em importações anuais da UE em seis setores. O sistema de precificação de carbono do EU ETS está em operação desde 2005, mas o CBAM agora estende seu alcance global.
Ramificações do comércio global
Disputas na OMC
Índia, China, Brasil e África do Sul desafiaram o CBAM na OMC, argumentando violação de princípios de nação mais favorecida. A UE defende o mecanismo sob o Artigo XX do GATT. Custos do CBAM podem chegar a €22 bilhões anuais até 2035, reduzindo o PIB de países como Moçambique em 1,6%. A disputa na OMC sobre medidas de fronteira de carbono deve ser um caso emblemático.
Impacto em exportadores-chave
Para a Turquia, exportadores de aço enfrentam custos de €48–72 por tonelada; os de alumínio, €36,37. China e Índia enfrentam custos maiores: alumínio chinês, €144,13 por tonelada; aço indiano, €254,13. Muitas empresas redirecionam exportações para fora da UE em vez de investir em tecnologias verdes.
Onda global de medidas de fronteira de carbono
O CBAM catalisa mecanismos similares: o Reino Unido lançará seu CBAM em janeiro de 2027; Canadá e Austrália exploram esquemas próprios; a Turquia criou um ETS doméstico. As tendências globais de precificação de carbono se aceleram.
Desafios de conformidade
Importadores devem solicitar status de Declarante CBAM Autorizado até 31 de março de 2026, calcular emissões e comprar certificados via plataforma central a partir de fevereiro de 2027. Penalidades chegam a €100 por tonelada de emissões não relatadas.
Perspectivas de especialistas
'O CBAM é o experimento de política clima-comércio mais significativo da história', diz Dr. Simone Tagliapietra. 'Força países a descarbonizar ou pagar. O risco é fragmentar o comércio em blocos climáticos.'
FAQ
Quais produtos são cobertos pelo CBAM?
Cimento, ferro e aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio. A expansão para produtos downstream está prevista para 2028 e para todos os setores do ETS até 2030.
Como é determinado o preço do certificado CBAM?
É a média semanal do preço de leilão das licenças do EU ETS. O preço do primeiro trimestre de 2026 foi €75,36 por tonelada de CO₂.
Os importadores podem deduzir custos de carbono pagos no exterior?
Sim, desde que verificáveis, para evitar dupla tributação e incentivar a adoção de precificação de carbono em outros países.
O CBAM é compatível com as regras da OMC?
A UE alega compatibilidade sob o Artigo XX do GATT, mas países em desenvolvimento contestam. O resultado definirá precedentes para futuras políticas climático-comerciais.
Como o CBAM evoluirá nos próximos anos?
Até 2028, cobrirá produtos downstream; até 2030, todos os setores do ETS; até 2034, as permissões gratuitas para produtores domésticos serão eliminadas.
Conclusão
O CBAM representa um ponto de inflexão na interseção entre clima e comércio. Como primeiro ajuste de fronteira de carbono operacional, já remodela cadeias de suprimentos, diplomacia comercial e competitividade industrial, acelerando a convergência entre política climática e comércio internacional.
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