
Revolução Energética em África: Redes Elétricas Transfronteiriças Ganham Forma
Os países africanos estão a fazer progressos significativos na segurança energética através de ambiciosos projetos de transmissão de eletricidade transfronteiriços que prometem transformar o panorama elétrico do continente. Com mais de 600 milhões de africanos sem acesso a eletricidade confiável, as pools regionais de energia estão a emergir como solução para a pobreza energética e os desafios de desenvolvimento económico.
Pools Regionais de Energia Lideram a Carga
O continente está organizado em cinco grandes pools de energia: Southern African Power Pool (SAPP), West African Power Pool (WAPP), Eastern Africa Power Pool, Central African Power Pool e North African Power Pool. Estas iniciativas colaborativas estão a derrubar barreiras nacionais para criar mercados de eletricidade integrados que podem partilhar recursos e estabilizar o fornecimento.
A Southern African Power Pool, estabelecida em 1995, tem sido particularmente bem-sucedida com 17 estados membros incluindo África do Sul, Zimbabwe, Moçambique e Botswana. A SAPP criou uma rede elétrica comum e mercados de energia competitivos, incluindo um mercado day-ahead que permite o comércio eficiente de eletricidade entre países.
Grandes Projetos de Transmissão em Andamento
Vários projetos emblemáticos estão atualmente a transformar a infraestrutura energética de África:
Ligação CLSG: Esta linha de transmissão de 1.300 km liga Costa do Marfim, Libéria, Serra Leoa e Guiné, trazendo eletricidade confiável para milhões na África Ocidental.
Ligação Moçambique-Maláui: Este projeto permite que o Maláui aceda aos abundantes recursos hidroelétricos de Moçambique, reduzindo a dependência de geração a diesel dispendiosa.
Ligação Zâmbia-Tanzânia-Quénia: Parte da Eastern Africa Power Pool, esta linha facilitará o comércio de energia entre a África Austral e Oriental.
Benefícios da Integração Regional
As redes transfronteiriças oferecem múltiplas vantagens: permitem que países com excedente de geração (como África do Sul e Egito) exportem para nações vizinhas, possibilitam a partilha de diversas fontes de energia (hídrica, solar, eólica, térmica), reduzem custos através de economias de escala e melhoram a confiabilidade do sistema através de redes interligadas.
"As pools regionais de energia são essenciais para a segurança energética de África," diz a Dra. Sarah Johnson, analista de energia do Banco Africano de Desenvolvimento. "Nenhum país pode alcançar a independência energética sozinho, mas juntos podemos criar sistemas resilientes que beneficiem todos os cidadãos."
Desafios e Perspetivas Futuras
Apesar do progresso, persistem desafios, incluindo lacunas de financiamento, harmonização regulatória e construção de capacidade técnica. No entanto, com o apoio de parceiros internacionais como o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e União Europeia, estes projetos estão a ganhar momentum.
A Agenda 2063 da União Africana identifica a infraestrutura energética como crucial para a integração continental e transformação económica. À medida que estas redes transfronteiriças se expandem, elas não transportam apenas eletricidade—alimentam o crescimento e desenvolvimento futuro de África.